Archive for the ‘Filosofadas’ Category
O ataque do menino malufinho
Written by Volponi on 20/9/2004 – 17:26 -“Pense em você. Vote no menino malufinho”. Impressionante. O slogan político do cara é, justamente, apolítico. Para mim, política não é pensar em si, mas pensar em si e na sociedade (seja lá o que essa “sociedade” signifique).
O pior de tudo é que essa mensagem egoística, de “resolva-seu-problema-dane-se-o-resto” cola perfeitamente com o sr. Salim. É, acima de tudo, coerente. E triste.
Posted in Filosofadas | 1 Comment »Eu não consigo…
Written by Volponi on 11/9/2004 – 17:26 -Imagine a cena: um homem, dentro de seu carro, displicentemente joga uma bituca de cigarro, aceso, para fora. O que dizer para ele?
E se a cena acontecer dentro de um posto de gasolina, quando o carro está sendo abastecido? Existe alguma forma educada (sutil, sensata, cordial) de dizer alguma coisa?
Já percebi que eu não consigo conter certas indignações. E que, óbvio, a autocrítica é item escasso…
Posted in Cri-crítica, Filosofadas, Vida ao vivo | 3 Comments »Peso na perna, peso das costas
Written by Volponi on 7/7/2004 – 21:24 -Esses dias de descanso forçado a que fui submetido, por causa da torcida do tornozelo, até que serviram bem. Apesar da paradeira, fiquei bastante com meu irmão, joguei bastante, assisti a muitos filmes que estavam na minha fila, e até trabalhei.
Mas, principalmente, consegui dar vazão a pendências antigas, que necessitavam de um cuidado maior. Quando tirar o gesso, alguns pesos também vão ter saído das costas.
Posted in Comédias privadas, Filosofadas, Vida ao vivo | 7 Comments »Duas coisas
Written by Volponi on 18/6/2004 – 11:38 -Tem gente que acha que, para tudo, há uma forma de dar explicação em apenas duas coisas.
Duas coisas sobre a conquista do mundo:
1 – Dividir e conquistar
2 – Nunca invada a Rússia no inverno
Duas coisas sobre estudar filosofia:
1 – Ninguém está correto
2 – Tudo é relativo
Duas coisas sobre as mulheres
1 – Quando reclamam, elas não querem seus conselhos, querem sua compreensão.
2 – Jamais diga que elas podem ser resumidas em apenas Duas Coisas.
Mais, em Two Things.
Posted in Filosofadas, Tecnicismos | 3 Comments »Filosofia Powerpoint
Written by Volponi on 27/5/2004 – 11:27 -Schopenhauer e o amor:
- A natureza reclama pela perpetuação da vida. O indivíduo reclama pela própria felicidade.
- O objetivo do amor é perpetuar a espécie, gerando filhos saudáveis. Amor não tem nada a ver com felicidade.
- A natureza usa o amor (uma força incrivelmente poderosa) para atingir seu objetivo. E é sempre superior ao interesse do indivíduo.
Epicuro e o consumismo:
- O que as pessoas querem e do que necessitam para ser felizes são diferentes.
- As pessoas confundem uma coisa com a outra, e são infelizes.
- O que é necessário para ser feliz é:
- Amigos
- Auto-suficiência
- Uma vida analisada
Montaigne e a auto-estima:
- Desconforto com o corpo: você é um animal. Compreenda que isso implica em excrementos, diferenças morfológicas, instinto. E que tudo isso é normal. “Reis e filósofos cagam.”
- Desconforto com a sociedade: o homem pensa que sabe o que é certo e errado para si. E, ao tentar impingir essa moral ao outro, comete injustiça. Você é diferente do outro. Respeite a si e a todos.
- Desconforto intelectual: sabedoria é diferente de diploma acadêmico. Busque conhecimento, mas saiba que felicidade não é acúmulo de informação. É saber lidar com a vida: sabedoria.
Volponi e o post:
- Nada como simplificar a vida em marcadores organizadamente alinhados.
Regras de vida
Written by Volponi on 25/5/2004 – 17:44 -Por motivos que eu nem me lembro mais, entrei neste blog. Por um acaso, o cara criou uma lista de “polices” para sua vida. É a “bíblia” dele, ateu confesso.
Não sei se eu concordo. A primeira “lei” é não consumir álcool. Mas a defesa de cada ponto dele é bem coerente. Coerência, aliás, é a pedra fundamental do negócio. Mas é coisa de nerd. Aliás: é coisa de nerd convicto e coerente. Dá medo…
Posted in Cri-crítica, Filosofadas, Tecnicismos | No Comments »Multas, pontuação? Pergunte-me como!
Written by Volponi on 4/5/2004 – 11:06 -Engraçadas essas plaquinhas logo após radares fotográficos. “Multas, pontuação? Nós temos a solução.” Fico pensando se, ao ligar para lá, entraria uma gravação dizendo:
“Excesso de velocidade? Multas? Procure dirigir mais devagar. Respeite o semáforo. Estacione somente em local permitido. Dirija com segurança. Trinta e dois reais e setenta e nove centavos serão debitados no seu cartão de crédito. Obrigado.”
Mas não, não. Isso nunca. O que as pessoas querem são “esquemas” para se livrar da responsabilidade. Querem recorrer a qualquer custo, mesmo estando erradas. É a mesma lógica de odiar a corrupção no Congresso, mas pagar uma “cervejinha” pro guarda na estrada. De achar um absurdo o roubo de carga, mas nunca pedir nota fiscal. De achar que o governo tem que fazer alguma coisa pra tirar as crianças da rua, mas continuar dando esmolas. De fazer regime “emagreça dormindo”, mas salada que é bom, nada.
Posted in Filosofadas, Vida ao vivo | No Comments »Através de 6 graus de miopia
Written by Volponi on 15/4/2004 – 14:29 -Observo tudo através de um quadro translúcido: dentro dele, tudo é nítido. Fora, borrões e manchas se alternam. Preciso de um instrumento para “corrigir” o que meus olhos vêem.
Fico em dúvida. O que vejo é o “real”? Ou o verdadeiro é o borrado?
Hoje, uma lente de 6 graus me separa do mundo. Quais serão os óculos cujas armações, invisíveis, “corrigem” meu olhar sem que eu perceba? E os óculos que bloqueiam a vista, só permitindo passar o que está fora do quadro?
Posted in Filosofadas | 11 Comments »Camiseta de número
Written by Volponi on 19/3/2004 – 14:00 -Uma modinha que já está quase ultrapassada são as tais “camisetas de número”. Sim, você já viu muitas delas com webdesigners, patys e homos. O significado desses números nunca fez muito sentido, para mim. Coisa um tanto aleatória.
Mas, passeando no centro de SP, vi uma vitrine cheia de roupas com o número 23, seguido de uma frase embaixo: “O senhor é meu pastor…” etc.
Bom, pelo menos essa tem um sentido. Era uma loja de produtos evangélicos.
Os afro-brasileiros, os brasilo-africanos
Written by Volponi on 3/3/2004 – 11:36 -Uma das coisas que mais me impressionou nessa segunda viagem a Salvador foi a cultura negra que lá é cultivada. A gente aqui em São Paulo ouve falar, vê na TV, mas não sente que isso é dia-a-dia. Yorubá é quase uma segunda língua, com termos aparecendo em todo lugar. A escolha da Deusa Negra do carnaval, pelo Ilê-Aiyê, como bem disse a Ca, muito difere de concursos de beleza. E uma tentativa sempre constante de manter vivas as chamas d’África.
Minha surpresa foi descobrir, vendo um documentário na TV Escola ontem (coisas de quem está de férias…) que existe uma comunidade importante no Benin de negros que foram deportados do Brasil no século XIX. E, pasme: eles buscam manter as tradições brasileiras lá, com comemorações ao Senhor do Bonfim, com referências à Bahia e com sobrenomes lusitanos.
Um trechinho copiado do Ministério das Relações Exteriores sobre o Benin:
“Entre meados do século XIX e a abolição da escravidão no Brasil, numerosos escravos brasileiros retornaram ao Benin. Neste período, cumpre destacar a figura de Francisco Félix de Souza, um dos maiores traficantes de escravos e dendê da costa ocidental africana. Apelidado de “Chacha”, foi o patriarca da família “Souza” de Ouidá, a qual hoje engloba cerca de cinco mil descendentes. Após o regresso ao Benin de escravos alforriados entre 1836 e a abolição da escravidão no Brasil, surgiram “bairros brasileiros” nas cidades de Ouidá e Porto Novo. Até hoje, milhares de beninenses mantêm traços da cultura e os nomes de suas famílias brasileiras, sua devoção ao Senhor do Bonfim, a dança e a culinária da Bahia. Têm orgulho sincero em se dizer “brasileiros”.”
Existem mais informações sobre o assunto:
Cartas D’África