Trauma de infância

Written by Volponi on 14/5/2004 – 11:14 -

Infância. Na mesa, sempre rolavam abobrinhas, chuchus e fígados. Eca. Credo. Caca. Mas era batata: meu pai pegava esses trecos, jogava no meu prato, e ficava olhando a minha cara, depois da primeira garfada.

“Experimenta, moleque!”
“Humpf…. grrr… eca… não gostei, pai”
“É PRA COMER TUDO!”

E ficava no meu pé, o almoço inteiro, até eu engolir tudinho.

Um belo dia, no alto dos meus 7 anos de experiência de vida, tive uma idéia.

“Experimenta, moleque!”
“Humm… é, gostoso, pai”

Ele ficava satisfeito, continuava almoçando, e não enchia o saquinho de ninguém. E eu só precisava dar a primeira garfada, ele nem se importava com o resultado final do prato, que invariavelmente tinha sobras — grandes! — de abobrinhas, chuchus e fígados.

Isso durou um bom tempo. Quase um mês. Até o dia em que ele percebeu, pela minha cara marota, que tinha pilantragem no ar. “Gostoso, pai”. Ele olhou pra minha cara, viu que eu não gostava mesmo, e que tinha dado um baile nele, durante um bom tempo. E deu uma pusta risada.

Desse dia em diante, “Gostoso, pai” virou piada à mesa. E senha pra dizer “puta, eu odeio esse chuchu!”.

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Questões de realidades

Written by Volponi on 12/2/2004 – 19:51 -

Na viagem para a Chapada Diamantina, fizemos uma trilha de 3 dias até a Cachoeira da Fumaça, um dos lugares mais espetaculares que já vi. Foi a minha primeira trilha “de verdade”. Foi a primeira vez que dormi em barracas. Foi a primeira vez que fiquei sem banheiro, sabonete, pasta de dentes. E a primeira vez em contato tão próximo com a natureza, com os limites do meu corpo, com horas de caminhada silenciosa.

Apesar do que imaginava, não tive epifanias ecológicas. Nem místicas. Nem de superação dos desafios, auto-estima. Nem teológicas.

Mas fiquei muito satisfeito. Me senti próximo sim das pedras, das árvores. Adorei poder beber água de todos os riachos e cachoeiras que encontrava (e nossa, como eu bebi água!). Me senti bem em ver o corpo debulhado de cansaço, e poder me massagear com águas geladas de uma ducha natural. Na segunda noite, apesar do chão duro e irregular, consegui dormir dentro de uma toca (ao contrário do dia anterior, numa barraca e muito mais “confortável”). Senti o vento gelado da Cachoeira da Fumaça por baixo, e depois fui conferir o visual espantoso lá de cima. E me senti vitorioso por só precisar de um dia para me recuperar fisicamente, sem maiores dores (ei, eu sou um sedentário convicto!).

No fim, a impressão que eu tenho foi que consegui curtir a coisa. De forma tranquila, pragmática, simples. Sem maiores elaborações nos sentimentos. Quer saber? Gostei de realidades.

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Há injustiça

Written by Volponi on 20/1/2004 – 14:48 -

Fui multado por causa da Zona Azul. Detalhe: coloquei meu cartão com tudo preenchido certinho. E não excedi o tempo. O motivo da multa? Simples: cartão vencido, não válido anymore.

Como assim, vencido??? Não vem nada escrito no talão (sim, eu tenho um talão, e me sentia um cidadão responsável por isso). A tiazinha que me multou disse que “deram 90 dias, noveeenta, para que todo mundo trocasse o modelo antigo pelo novo”, e até me mostrou um folheto que fizeram para explicar. Ah, tá, tá bom.

Eu uso muito pouco o Zona Azul, e acho um saco ter que ficar correndo atrás de camelô pra pagar R$ 3 só para parar na rua. Por isso comprei um talão inteiro que, sem mais nem menos, perdeu a validade. E agora sou multado?

Sim, há injustiça. Estou puto.

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Panturrilha pra que te quero

Written by Volponi on 7/1/2004 – 13:38 -

Comecei uma nova série de exercícios no Sesc. E, entre eles, dois que serão desafios para mim: um de supra abdominal (levantando as pernas, huuug!) e um pra panturrilha. Panturrilha, aliás, que não deixa que eu me esqueça dela… ai… ai… ai…

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Mais pendências…

Written by Volponi on 7/1/2004 – 13:28 -

O Moa escreveu um post muito parecido com minhas inquietações pendentes. Como organizar as coisas? Como não deixar tudo acumular? Essa ansiedade é dose…

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Não deixar nada pendente

Written by Volponi on 6/1/2004 – 11:49 -

Minha mãe tem a saudável tendência a pedir coisas para os filhos, e ficar perguntanto perguntando perguntando se a coisa já foi feita, mesmo sabendo que o tempo desde a última pergunta foi gasto num banho. E, como todo filho que está acostumado com as tendências maternais, eu fico de saco cheio.

Então, no interior, este fim de ano tomei uma atitude inédita: não deixar nada pendente. Cada coisinha que ela pedia (e sempre são coisas simples, nunca fiquei irritado por fazer, mas pelo insistente cobrar sem critério) eu fazia imediatamente, com um vigor que até deixou o povo assustado. Se eu estava sossegado assistindo televisão quase na hora do jantar e ela perguntava, de novo, se eu já tinha deixado tal coisa na minha avó, eu levantava abruptamente, pegava a chave do carro, ia correndo até o lugar, fazia tudo e voltava para o sofá.

Uma ótima tática poder dizer, antes da pergunta, o delicioso “já fiz”.

Tomei isso como padrão uma semana inteira, e tentei contagiar também meu irmão, que sofre do mesmo contexto. O resultado foi que, durante uma fase de malemolência conceitual (o final de ano) fiquei contente por conseguir matar dois cajados com uma coelhada só: me senti bem por fazer tudo muito rápido e me senti bem por não ter que ouvir cobranças extras.

Mas tem um outro tipo de cobrança muito importante para mim: a cobrança pessoal. Eu também fico me martirizando quando acumulo coisas para fazer e não as faço. Então, se existe alguma resolução para 2004 (não acredito muito nessas coisas, a gente quase nunca faz mesmo, eheheheeh…) é de não deixar coisas pendentes. Desde as mais simplórias até as importantes. Aliás: me parece que limpar a cabeça das preocupações simples e urgentes, fazendo logo, é a melhor forma de liberar espaço para pensar e executar as coisas mais importantes.

Nada pendente!

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Enquanto você dormia

Written by Volponi on 27/11/2003 – 20:41 -

Enquanto eu dormia, minha alma apequenada viajou longe, procurando te encontrar novamente, sob o eco dos nossos nãos. Viajei no tempo, viajei no espaço, em vão: você não estava em nenhum dos “lá”. Te encontrei dormindo do meu lado, a quilômetros de distância. Uma certeza quente, ao mesmo tempo tranquila e angustiante.

Veio o dia. E, felizmente, nos encontramos mais uma vez.

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O máximo em educação

Written by Volponi on 16/10/2003 – 14:24 -

O máximo em educação é colocar seu carro exatamente em cima da faixa, ocupando duas vagas num estacionamento onde poucas delas existem. Para dar um toque nesse motorista descuidado, aproveitei meu caderninho e escrevi um recado: Um dia, vê se aprende a estacionar, tá. É um pouco grosseiro, como eu quase sempre faço, claro. Tenho a maior inveja de quem sabe ser direto ao ponto sem ser indelicado. Mesmo assim, acho que essa pequena grosseria seria justificável. E lá fui colocar o recado no pára-brisas do Corsa. Minha surpresa: já havia outro recado lá. Estaciona direito sua f#$@#%¨#, vai @#$@#$@# !!!.

Oooops. E eu que pensei que estava sendo mal-educado.

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Cuidado com homônimos

Written by Volponi on 6/10/2003 – 20:00 -

Volponi Consultoria Empreendedorismo em Igrejas Evangélicas

Juro, juro que não é meu parente. Pelo menos, não nos graus conhecidos… heheehehe… Mas de uma coisa ninguém pode reclamar: isso é que é nicho, hein?

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Juízo

Written by Volponi on 26/9/2003 – 10:00 -

Um dos meus dentes do sizo remanescentes acaba de despontar. Como juízo dói!

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