Gostava tanto de você

Written by Volponi on 9/3/2004 – 12:45 -

Pode existir algo que une Eric Clapton a Tim Maia de uma forma inesperada. É conhecido o motivo destes versos:

Would you know my name
if I saw you in heaven?
Would it be the same
if I saw you in heaven?
(…)
Beyond the door there’s peace I’m sure,
And I know there’ll be no more
tears in heaven.

O filho de Eric Clapton morreu em 1991, e o inglês criou Tears in Heaven, uma delicada homenagem. O programa Bate o Tambor, da Rádio USP, divulgou que Tim Maia teria criado Gostava Tanto de Você para sua filha, que havia falecido. É uma interpretação válida, do começo ao fim da letra:

Nem sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristeza vou viver
E aquele adeus não pude dar
(…)
Eu corro, fujo dessa sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato

Ou seja: é verossímil. Mas provavelmente não é verdade.

No Google, há vários blogs que repetem a mesma informação sobre Tim. Só que há um detalhe. A música é de Edson Trindade. Pode ser que Trindade tenha escrito para sua filha. Pode ser que não. Ou seja: grandes chances dessa ser mais uma das lendas que circulam pela internet, e pessoas bem-intencionadas (como o produtor do programa da rádio) ajudam a realimentar a lenda.

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A tecnologia e o japonês

Written by Volponi on 29/1/2004 – 11:31 -

Nesse filme Último Samurai, me ficou na cabeça outra coisa: a relação entre tradição x tecnologia. Há, obviamente, uma clara defesa da tradição japonesa (honra, costumes, disciplica) contra a avassaladora tecnologia embarcada pelo capitalismo americano (na forma de estradas de ferro, eletricidade e, principalmente, armas automáticas).

Os samurais conseguem resistir, de forma corajosa, ao primeiro avanço da tecnologia: as armas de fogo. Mas não conseguem fazer o mesmo quando vem o segundo avanço, as armas automáticas, na forma de metralhadoras antigas.

A visão de preservar a tradição é comovente, no filme. E me faz ficar com uma certa repulsa à tecnologia. Mas percebo a ironia: trabalho com internet e sempre trabalhei com computadores. Adoro as maravilhas eletrônicas quando evitam a burrocracia e, apesar das críticas, sou alopata convicto e fico espantado quando uma simples pílula pode acabar (mesmo!) com fungos no seu pé, sem contar as endoscopias.

O interessante é perceber como, no filme, o imperador amarra a contradição de ser um país feudal, com tradições milenares, na transição e na ânsia pela modernidade. É, sim, modernizar-se, não esquecer suas origens. E é justamente essa a imagem que tenho do Japão, hoje. Ambíguo, porque tradicional e high-tech.

Talvez esse tipo de filme seja necessário para mostrar um contraponto. Afinal, não é preciso que ninguém defenda a técnica: ela já é hegemônica. No passado, era Deus (ou a religião) quem dizia o certo e o errado. Depois, veio o humanismo, que agora dá espaço ao discurso tecnológico. E isso não é bom nem ruim: é o contexto contemporâneo. Trabalhemos com isso, com alguns olhos no passado, e muitos no futuro. Aonde chegaremos?

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O japonês e o japonês

Written by Volponi on 29/1/2004 – 11:09 -

Engraçado ver dois filmes sobre o Japão na seqüência. Um, Encontros e Desencontros, da Sofia Coppola. Outro, o Último Samurai, de Edward Zwick. Muito diferentes entre si, lógico.

O primeiro mostra dois americanos que, no fundo, nunca entram no Japão. Por ter língua, costumes e rituais completamente distantes do que eles conhecem, optam por se fechar, se esconder. O hotel é um oásis de segurança com alguns intrusos nativos. Mas, nesse caso, o Japão é irrelevante: o país é só um pretexto para mostrar como a vida deles era sem sentido e tediosa. Podia ser a Índia, o Madagascar, a Islândia.

No segundo, que se passa no século XIX, um capitão do exército americano entra no Japão no período de transição feudal-moderna. E entra mesmo, de corpo e alma, quando vive numa vila de samurais. Vem todo o blablablá romântico da vida rupestre, disciplinada, cheia de honra, em contraste com os interesses financeiros e capitalistas da modernização de Tokyo, a nova capital.

Esse “entrar” ou “não entrar” numa sociedade me fez lembrar de um livro que li (depois acho o nome e coloco aqui), em que o autor, um executivo brasileiro, conta qual é a “mágica” para não cometer gafes em contatos internacionais. Simples: manter proximidade emocional. Quem procura o distanciamento, achando que o outro é “outro”, que os costumes são “estranhos”, que aquilo não é “correto”, fatalmente não vai se relacionar bem com as pessoas daquela sociedade. Se, ao contrário, tiver proximidade ativa (“entrar”), qualquer gafe, se existir, será facilmente contornada, compreendida, relevada.

Tá bom, concordo. Mas que isso deve ser difícil de se conseguir no Japão, ah, isso sim.

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É mais fácil aprender japonês em braille

Written by Volponi on 23/1/2004 – 10:53 -

Segundo fontes fidedignas, é muito mais fácil aprender japonês em braille. E é lógico: a nossa grande dificuldade é aprender a ler aquelas letras esquisitas do katakana, do harigana, ou mais ainda, do kanji. Como dizer os sons daqueles trecos?

Em braille, é mais fácil. Há uma estrutura lógica para marcar os fonemas (tipo sa-se-si-so-su).

Por essa nem o Djavan esperava.

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Paredão

Written by Volponi on 12/1/2004 – 11:54 -

Um primor a ilustração de hoje do Léo Martins no NoMínimo.

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Introdução a Sistemas de Banco de Dados

Written by Volponi on 1/1/2004 – 16:43 -

Introdução a Sistemas de Banco de Dados – C.J. Date

C.J. Date é, ao lado de E.F. Codd, um dos maiores gurus de banco de dados relacional. Juntos, eles foram os responsáveis por inventar esse tipo de sistema, ainda na década de 70, e estudar profundamente seus conceitos, para formar uma estrutura matematicamente embasada.

Este livro explica o que é um DB relacional e todas as suas características. É um livro de teoria, voltado para estudantes de ciências da computação (aparentemente) em que os exemplos são dados em pseudo-código, e a linguagem SQL é colocada em oitavo plano. Na verdade, o autor argumenta, em vários momentos, que o sistema relacional nunca foi 100% implantado por nenhum SGDB (Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados). Há muitas lacunas nas implantações comerciais, o que acarretam problemas conceituais e de desempenho.

Para chegar até esse ponto, o livro explica o que é um banco de dados e detalha a diferença entre os principais tipos de DB. Também vai, passo a passo, introduzindo o leitor na terminologia da matemática relacional, com suas relações, tuplas, domínios e predicados. O livro inclui capítulos sobre cálculo e álgebra relacional, algoritmos de operações sobre dados, visões, otimização, gerenciamento de concorrência, restrições, normalização, lógica trivalorada, segurança, criptografia, DBs orientados a objetos, e muito mais, em quase 700 páginas recheadas de referências bibliográficas e exercícios em cada capítulo. No fim, ainda há espaço para apêndices sobre SQL (SQL/92 e SQL3).

É uma referência de peso, feito para quem acha importante conhecer conceitos e descobrir que houve, sim, muita discussão lógica na hora de inventar algo que deu suporte e revolucionou o mundo da computação.

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In the Big Rock Candy Mountains

Written by Volponi on 18/12/2003 – 16:11 -

Como seria sua montanha encantada? Teria sereias, sorvete e batata-frita à vontade? Seria um lugar onde nunca chova, e que ninguém tivesse cãibra? Cigarros seriam proibidos e as roupas também?

Música que faz parte do filme E aí meu irmão, cadê você:

Big Rock Candy Montain – Harry McClintock
(…)
I’m headed for a land that’s far away
Besides the crystal fountains
So come with me, we’ll go and see
The Big Rock Candy Mountains
(…)
In the Big Rock Candy Mountains
All the cops have wooden legs
And the bulldogs all have rubber teeth
And the hens lay soft-boiled eggs
(…)
In the Big Rock Candy Mountains
You never change your socks
And the little streams of alcohol
Come trickling down the rocks
The brakemen have to tip their hats
And the railway bulls are blind
There’s a lake of stew
And of whiskey too
You can paddle all around it
In a big canoe
In the Big Rock Candy Mountains

In the Big Rock Candy Mountains,
The jails are made of tin.
And you can walk right out again,
As soon as you are in.
There ain’t no short-handled shovels,
No axes, saws nor picks,
I’m bound to stay
Where you sleep all day,
Where they hung the jerk
That invented work
In the Big Rock Candy Mountains.

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Sons de Gonzáles

Written by Volponi on 18/12/2003 – 12:35 -

Tive a paciência de ouvir o Radio Uol Ondas Latinas, um programa feito pelo José Simão. Por sorte, o programa traz um especial com Ruben Gonzáles, um dos maiores pianistas cubanos e que morreu recentemente. O programa é um tesão, apesar do macaco e suas miquices. (Só pra assinantes, todavia… :-/ )

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Infância fundida

Written by Volponi on 2/12/2003 – 11:19 -

Dentre as fusões de multinacionais, produtos e marcas, descobri uma, hoje, que me deixou estarrecido:

Ping Pong e Ploc no mesmo chiclete!

Não dá pra acreditar. Os dois grandes rivais da minha infância, Ploc Monsters x Ping Pong Pantanal, propagandas incisivas, promoções mil. Agora, nada disso: fundidas.

E sabe qual a figurinha? Não podia ser outra: um Hulk horroroso, pra ilustrar bem essa aberração.

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O anti-herói americano

Written by Volponi on 28/10/2003 – 19:46 -

E não é que Harvey Pekar, o criador da American Splendor, cujo filme está passando na Mostra, tem blog? E não só ele, como toda a família:

http://www.harveypekar.com/
Apesar de isso ser legal, não achei muita graça no blog em si. Paciência.

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