Archive for the ‘PIMBA Corp’ Category
Dois detetives
Written by Volponi on 20/9/2004 – 17:31 -Influencie os jogos políticos. Estabeleça pactos para se proteger. Só declare suas intenções em último caso. Elimine a inteligência.
Não acredite em certezas presumidas. Cheque cada detalhe. Procure quebrar paradigmas. Faça as perguntas certas.
Posted in Filosofadas, Mini-textos, PIMBA Corp | No Comments »Brilho eterno
Written by Volponi on 2/8/2004 – 17:19 -Fui assistir a Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Fazia tempo que não saía tão satisfeito e empolgado com um filme. Desde O Filho da Noiva, talvez, mesmo que um não tenha nada a ver com o outro. Claro.
Um roteiro completamente inusitado, com doses de humor, desencontros e questionamentos éticos/filosóficos sobre a experiência e a memória. O filme me capturou na hora dos créditos, e já iam 20 minutos de exibição, ao som de Beck.
Jim Carrey consegue passar o filme todo quase sem fazer careta. A edição tem, sim, efeitos especiais, mas que não valem “por si”: valem pelo efeito de ritmo, de adequação à história. Não tem nada exagerado, a ponto de você nem perceber esses efeitos como tais. Ou seja: dose correta.
E é um filme que trata de um tema comum (relacionamentos), mas num contexto complicado (memória, como o Amnésia) sem descambar pra confusão. Ele segue uma linha clara, apesar dos flashbacks e das cenas conectadas apenas pela memória do protagonista. E é hollywoodiano. Ou melhor: é o que hollywood poderia fazer sempre, pois existem diretores, roteiristas, produtores que sabem fazer filmes comerciais inteligentes e que propôem novas direções no cinema. Não precisa ser tudo como Triple X.
Everybody’s gotta learn sometime.
Posted in Filmes | 7 Comments »…os palitos saem marchando, e aí…
Written by Volponi on 28/7/2004 – 16:26 -Tem coisa que não dá pra entender. Década de 50, pusta animação em stop-motion, comercial pra Fiat Lux. A idéia? Ah, bem, fazer cada palito ser um soldado, andar, super-chamativo.
Comerciais antigos - TV Anos 50
O site inteiro vale uma olhada. E os anúncios são quase todos bons. Quase.
Posted in PIMBA Corp, TeVê | No Comments »Always look on the bright side of life!
Written by Volponi on 28/6/2004 – 12:35 -Acabei de ver A Vida de Brian, do Monty Phyton. Porquê não vi antes? Uma das cenas mais hilárias é quando Brian, que faz parte de um grupo “esquerdista”, contra o domínio romano na Galiléia, tem que pichar uma parede do palácio com a frase “Romanos, vão pra casa!”. Quando termina de escrever, chega um centurião e dois soldados:
Posted in Comédias privadas, Filmes, PIMBA Corp | No Comments »Bio-arte
Written by Volponi on 6/4/2004 – 14:27 -Em um texto da Morfina, ela discorria sobre “A Ciência, A Tecnologia E Esta Bagunça Toda”. Tá certo. Entre outras aberrações, cachorros transgênicos e tais. Me lembrei do coelho transgênico verde de um cara chamado Eduardo Kac, brasileiro que vive no exterior (EUA?).
Se certas coisas nos parecem aberrações hoje, o que dizer de bio-arte? Arte transgênica? Transfiguração e utilização de técnicas de manipulação de genes para criar obras de arte literalmente vivas? Quais são os limites éticos? A arte pode (deve) explorar tais limites? Se não o fizer, poderá ser considerado arte? E quando isso se difundir, porque não fazer tais coisas no próprio corpo?
Como diz o Luli: hoje você acha piercing esquisito, espere só até seu filho tomar pílulas para deixar o corpo fluorescente na balada. Verde-limão, ainda por cima, que mau gosto.
Posted in Cri-crítica, PIMBA Corp | 9 Comments »Fora de Contexto
Written by Volponi on 2/4/2004 – 18:46 -Ontem fui ver um documentário sobre os Doces Bárbaros, no Vivo Open Air. Gil, Caetano, Bethânia e Gal. Não conhecia nada sobre os quatro juntos. Só o nome. Foi interessante ver os quatro jovens adultos e, ao mesmo tempo, reconhecidos pelo seu trabalho.
Alguns momentos terríveis (guerreiros do após-calypso?) e outros brilhantes (Carcará). Gil a esbanjar alegria e falando absurdos PIMBA pós-conceituais relativísticos (hã?). Caetano com poesia (virá que eu vi) e coisas estranhíssimas (música de pomba, pra peixe?). Bethânia mulhé-macho em segundo plano, e emoção pura. Gal lânguida-oleosa e menina travessa de voz impossível.
Mas o mais interessante desse mundo delirante (rimou? ficou aliterante?) foi ver como, à luz de algumas décadas, certas coisas permanecem contemporâneas, relevantes, válidas, e outras se transformam em bizarrices. Seja o mustache do delegado que prendeu Gil com a “erva maldita” aos comentários rock’and’roll do Caetano, muito ficou risível. Fora de contexto, exibir tais coisas é quase uma agressão.
Ficou patente, pra todo mundo que viu o documentário: esses quatro fizeram muita coisa ruim. Não é “experimental”, “psicodélico”, é ruim mesmo. Mas também fizeram coisas que sobrevivem, marcaram época.
Talvez seja esse o mérito: acertar às vezes, mesmo que não se saiba separar o que é irrelevante do que é universal. E continuar. Hoje, se damos alguma bola e existe uma idolatria a eles, deve-se a isso. Acertar em cheio, poucas vezes. E, todos os dias, vamos perdoando os erros pontuais, porque o que sobra é bom.
Mas guerreiros do após-calypso não tem perdão.
Parêntese jornalístico
Written by Volponi on 2/4/2004 – 18:29 -Jornalista entrevista (valha-me Deus):
- Vocês podem dizer que são os Beatles ao contrário? Porque os Beatles eram quatro e se separaram, e os Doces Bárbaros tinham carreiras solo e se juntaram depois?
The thrill is NOT gone
Written by Volponi on 26/3/2004 – 10:52 -Esperava há 7 anos por isso. O show do B.B. King foi o máximo. Ele não é um tiozinho bacana. É um vovô figuraça. Ele teve que tocar sentado, pousando a Lucille no colo. Pra reverter o espanto, um papo simpático com a platéia. Algo como “You know, I’m an oooold man, not as young as those behind me. Knees? No good. Back? No good. Head? Noooo gooood too.” Detalhe: atrás dele, havia uns 10 músicos com cara de vovô.
O cara dominou o público, que aplaudia comovida. Algumas vezes, no meio da música, ele apontava uma “beautiful young lady” na segunda fila, e fazia umas gracinhas com o pessoal da banda. Todo mundo na gargalhada. Só que certas coisas ninguém entendia direito. B.B. “descobriu” o porquê. “Maybe they didn’t get my Mississipi accent”. Comédia.
A coisa triste é que, vendo o B.B. King se chacoalhando numa cadeira, apesar de toda a simpatia, deu pra notar que esta deve ter sido a última oportunidade de vê-lo em SP. Um vovô, não se esqueçam.
When you leave me
I try not to worry
Come back in a hurry
‘Cause I need you so
No começo, fiquei com medo. Ele só ponteava a guitarra no começo das músicas, e depois soltava seu vozerrão. Solos de piano vintage? Nãaaao! Eu queria era o rei do blues tocando. Mas esse medo durou pouco: quando o cara resolveu tocar (e não foi pouco!), quase caí da cadeira. Eu não sabia se fechava os olhos pra curtir melhor o blues ou se arregalava os olhos pra descobrir o que ele estava fazendo. Uma dúvida maravilhosa.
Ainda bem que a emoção não se foi.
Posted in No ouvido, PIMBA Corp, Vida ao vivo | 6 Comments »Cidades Invisíveis - Ítalo Calvino
Written by Volponi on 15/3/2004 – 14:06 -Uma viagem por cidades imaginárias. Uma coleção de poesias em prosa. Um diálogo fantástico entre dois grandes nomes da Idade Média. Calvino consegue fazer de tudo isso (ou por tudo isso) um livro sutil e instigante.
O argumento é bárbaro: o comerciante genovês Marco Polo encontra-se com o imperador mongol Kublai Khan, neto do grande Gengis, na capital do império, durante o século XIII. O imperador não pode sair da capital e, para satisfazer sua curiosidade, Marco Polo descreve a ele as cidades e os lugares por onde passou.
Narrações curtas, poéticas, carregadas de imaginação. E com um detalhe, todas com nomes de mulher. O livro descreve 50 delas, divididas em vários tipos: as cidades e a memória, as cidades delgadas, as cidades e as trocas, as cidades e os mortos, as cidades e o céu.
Entre essas descrições, aparecem os diálogos entre o genovês e o mongol. E estes diálogos são chaves para discussões literárias e filosóficas sobre o que é narrado e o que é apreendido; sobre a cidade para seus habitantes e para o visitante; sobre o tempo e as cidades; sobre imaginação e realidade; e muito mais.
Mas as grandes pérolas são as cidades. Calvino consegue criar descrições de cidades fantásticas, que nos colocam sempre a pensar e a imaginar nossa relação com os ambientes ao redor. Cidades que são espelhadas, metrópoles inconscientes de sua história, povoados formados apenas por tubos hidráulicos. Em cada uma, uma sugestão. Em cada uma, uma imagem. Em cada uma, uma poesia.
Calvino consegue deixar claro que, mesmo invisíveis, essas cidades coexistem na história, na memória e, principalmente, na imaginação de cada um.
Posted in PIMBA Corp, Resenhas | 2 Comments »As cidades delgadas 4
Written by Volponi on 15/3/2004 – 13:11 -Sofrônia
A cidade de Sofrônia é composta de duas meias cidades. Na primeira, encontra-se a grande montanha-russa de ladeiras vertiginosas, o carrossel de raios formados por correntes, a roda-gigante com cabinas giratórias, o globo da morte com motociclistas de cabeça para baixo, a cúpula do circo com os trapézios amarrados no meio. A segunda meia cidade é de pedra e mármore e cimento, com o banco, as fábricas, os palácios, o matadouro, a escola e todo o resto. Uma das meia cidades é fixa, a outra é provisória e, quando termina a sua temporada, é desparafusada, desmontada e levada embora, transferida para os terrenos baldios de outra meia cidade.
Assim, todos os anos chega o dia em que os pedreiros destacam os frontões de mármore, desmoronam os muros de pedra, os pilares de cimento, desmontam o ministério, o munumento, as docas, a refinaria de petróleo, o hospital, carregam os guinchos para seguir de praça em praça o itinerário de todos os anos. Permanece a meia Sofrônia dos tiros-ao-alvo e dos carrosséis, com o grito suspenso do trenzinho da montanha-russa de ponta-cabeça, e começa-se a contar quantos meses, quantos dias se deverão esperar até que a caravana retorne e a vida inteira recomece.
do livro “As Cidades Invisíveis”, de Ítalo Calvino
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