Archive for the ‘No ouvido’ Category
Isso é que é samba
Written by Volponi on 21/7/2003 – 13:41 -Brancas e Pretas
Paulinho da Viola
Num jogo de vida e de morte
As brancas e as pretas sobre o tabuleiro
Ali não há golpes de sorte
Se pensam jogadas, destinos certeiros
O quadro é um mar quadriculado
Sem ondas, parado, porém de marés
Ás vezes um passo mal dado
Um lance apressado resulta em revés
Os reis, as rainhas e os bispos
Dominam a cena com seu poderio
Da torre se avista o tablado
Peões trabalhando por horas a fio
O meu coração anda aos saltos
Parece um cavalo no seu movimento
Selvagem, e até traiçoeiro,
Vai sem cavaleiro, tabuleiro adentro
Parceiros duelam paciência
Por vezes se estranham,
o amor e a ciência
As pedras ali não têm limo
E mudam de rumo por conveniência
Ou, por não acharem saída,
Não rolam, se deitam,
no fim da partida
Voy para Macarné
Written by Volponi on 15/7/2003 – 12:26 -Compay Segundo morreu ontem. E eu morri de vontade de fazer um “Adeus, Segundo” aqui no Caderno de Anotações. Desisti. Achei pedante demais, achei que não tinha o direito. O que conheço eu da vida, das músicas do cubano? Quase nada, somente algumas músicas do Buena Vista Social Club e “ouvir falar” que ele era o maior representante. Isso não é suficiente, portanto, não tenho o direito de fazer uma “homenagem”. Mas, do pouco que eu conheci, eu gostei. Então, tenho o direito, sim, de dizer “que pena” e ir para Macarné, sonhando conhecer mais músicas como “Chan Chan”.
Posted in No ouvido, Vida ao vivo | 2 Comments »Versões e reversões
Written by Volponi on 19/6/2003 – 17:58 -Pauta roubada da Caixa de Pandora. Quais versões ficaram melhores que as músicas originais? Aí vai minha primeira lista (sem chupar nenhuma do blog da Camila):
Versão de Dan Hicks para “The piano has been drinking” do Tom Waits
Versão da Elis para qualquer coisa do Tom Jobim
Versão de Mike Flowers para “Light my fire”, do Doors
Versão de Nuno Mindelis para “Spinning Wheel” de um cara que eu não lembro o nome
Versão do Funk Como Le Gusta para “16 Tons” popularizada pelos Platters
Versão de Gilberto Gil para “I just call to say I Love You” do Stevie Wonder
Exceção: prefiro Layla original. ![]()
Quais mais?
A mais estranha
Written by Volponi on 16/6/2003 – 18:30 - A música mais estranha de todas, ouvida na venda do Zé Goleiro, em Ribeirão Preto:
Gomo de mexerica, não saia daí
Gomo de mexerica, não saia daí
Se você sair, vai ser muita doidêra
Gomo de mexerica, não saia daí
(censurada por ser do repertório de um cara com nome teológico do big bosta brasil)
Posted in Cri-crítica, No ouvido, Ô luta | No Comments »Música, arte e olhares
Written by Volponi on 23/5/2003 – 13:59 -Das artes todas, acho que sou mais ligado à música. Tenho a impressão que de a maioria das pessoas também o é, o que não é mérito nenhum para mim, portanto. Mas, conversando a respeito, percebi que é diferente “gostar de música” e “apreciar a arte música”.
A mesma coisa acontece com as artes visuais. Ninguém repara num outdoor ou numa vinheta de televisão como “olha que cores interessantes, gostei do visual”, ou coisas assim. Normalmente, só se presta atenção em arte visual quando ela é enquadrada numa categoria. “Olhe esta pintura. Este quadro. Esta escultura”. E, aí, nossa parca educação visual não permite absorver tanto.
Com música é a mesma coisa, mas diferente (?). Gosta-se de “música” do Xitãozinho & Chororó, porque é “bonita”. Mas não se aprecia uma música qualquer pela melodia, ou pelo arranjo, ou pelo ritmo, ou por algo que não seja uma letra melosa. A música não é fruída como arte, normalmente. Assim, acho que ela seja mais difundida, mas com uma percepção estética muito, muito baixa. O que faz com que a música-arte seja tão pouco apreciada quanto as artes visuais.
Sei que aqui uso como medida minha própria experiência. Mas qual outra medida eu poderia usar, afinal? :p
Posted in Filosofadas, No ouvido, PIMBA Corp | No Comments »Hotel Cambridge
Written by Volponi on 16/5/2003 – 9:58 -Dos anos 50, vermelhos os bancos, as paredes, as luzes do banheiro e as tubulações. Espelhos e dourados.
Dos anos 70, a dançante música, o samba-rock, o oye-como-va, os garçons servindo fantasias imaginárias.
Dos anos 2000, todos. Respirando a nostalgia de um tempo que nunca viveram.
Já faz tempo que saí / de casa pra viver / no mar
Written by Volponi on 5/5/2003 – 11:15 -A Rádio USP sempre me impressiona. Ontem à tarde, na seqüência: Mestre Ambrósio, Bicho de 7 Cabeças, Adoniram, Caetano.
Pescador - Mestre Ambrósio
Água, agora
Me chama a correr…
Água, é a hora
E eu torno a dizer:“pro mar!”
Areia branca
Branco é o belo barco
Céu azul a norte-sul
Temporal…
Um cinza e verde
Musical…
A chuva que cantou
Já faz tempo que eu sai de casa
Pra viver no mar
Skol Viche
Written by Volponi on 28/4/2003 – 10:26 -Tesão. Até de pogobol aéreo eu brinquei. E o cheiro do chill out matou a pau. E o calor da Movement. E a anarquia da The End. E o ventinho da Outdoor Stage. E litros de refrigerante.
Posted in No ouvido, PIMBA Corp, Vida ao vivo | No Comments »My baby just cares for me…
Written by Volponi on 22/4/2003 – 15:06 -Em 24 de setembro de 2001, eu ouvia esta música.
Adeus, Nina Simone. Mas nós continuaremos nos importando só com você.
Posted in No ouvido | No Comments »Trash 80’s
Written by Volponi on 14/4/2003 – 16:15 -Não, não tocou Ursinho Blau-blau. Mas tocou Patrícia Marx:
Minha cabeça dá mil voltas
Fico sonhando um beijinho
escondidinho
Love me tender
dançar com meu brotinho
E fecho os olhos
para o tempo não passar
Só você, com você
Na festa do amor
a gente pode sonhar