Carandiru - que sono

Written by Volponi on 21/5/2003 – 23:20 -

Achei que fosse gostar mais. Como documentário, achei fraco. As histórias dos presos são dramatizadas de menos, e ainda por cima toma-se um partido sem defendê-lo fortemente. Chega a ser hilária a cena das bandeiras estendidas pedindo paz. De uma hora pra outra, tudo muda? Sem tensão? Ônibus 174 é muito mais documentário. Como narrativa, nem me fale. Que sono. Como bem observou a Camila, não há nenhum personagem esférico, é tudo plano. Sono, sono.

Achei que fosse gostar mais. Mas não gostei não.

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Laranja Mecânica - Kubrick

Written by Volponi on 11/2/2003 – 10:06 -

Pensei que este filme fosse mais cacetada. Mais viajante, mais violento. Acho que esperei porralouquice demais. Até que foi bom: pude aproveitar o vai-e-vem da violência e da contenção dela pelo Estado, direto na cabeça de Alex.

Mas o mais engraçado é achar que descobri a referência do nome da banda Moloko.

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Ônibus 174 - Soco no estômago

Written by Volponi on 21/1/2003 – 10:44 -

Fui ver este documentário ontem. Nossa. Um soco no estômago. Entrevistas com algumas das reféns do ônibus, com todos os parentes e moleques de rua que conviveram com Sandro, o causador do incidente. Revelador é saber que ele é sobrevivente da chacina da Candelária. Impressionante é tentar entender, pelo menos parcialmente, o porquê dele ter se tornado um menino de rua. Já pensou assistir sua mãe sendo assassinada a facadas na sua frente?

Como bem observou o Léo, o filme não toma nenhum partido óbvio. Às vezes, você fica com pena do marginal. Às vezes, você acha tudo coisa de um drogado maluco. Às vezes, parece que a polícia não tinha muitas opções na mão. Outras vezes, parece que ela só fez burrada. E o interessante é que a produção consegue mostrar tudo isso sem ser ambígua.

Dá medo a mídia em volta de tudo. Pessoas passando, repórteres, câmeras. Na hora em que, finalmente, o sequestrador decide por conta própria sair do ônibus, centenas de flashes disparam. E, exibindo imagens não mostradas na TV, em câmera lenta, cada flash parece um tiro. Amedrontador.

Amedrontador porque não é ficção. É real e, por isso, angustiante. A chave para entender todo esse processo foi dada pelo ex-secretário de Segurança do RJ, Dr. Luís Eduardo Soares. Resumindo, é a história de considerar esses meninos de rua como ‘invisíveis’. A sociedade não quer vê-los, ninguém quer segurar essa batata quente. E aí a polícia, como instrumento do Estado/Sociedade, pode completar o trabalho de ‘limpeza’ daquilo que não queremos ver. Só que, em momentos especiais, alguns desses meninos se rebelam e dão um grito desesperado, querendo ser protagonistas de suas próprias vidas. Nem que seja num sequestro transmitido ao vivo pela TV.

Esse grito serve só pra dizer a nós todos que é culpa nossa a tentativa de negar a existência a um ser humano.

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Julia Roberts é horrorosa

Written by Volponi on 27/5/2002 – 12:24 -

Alguém aí já viu “Queridinhos da América” (America’s Sweethearts)? É, um daqueles filmes com a Julia Roberts, Catherine Zeta-Jones e uns dois ou três atores bonitões que eu nunca lembro o nome. Ah, a Catherine Zeta-Jones…. aquilo sim…. ehrrr… onde eu estava mesmo? Ah! Claro, o filme. Qual a semelhança entre este filme (comédia romântica baba-ovo total) e “Quero ser John Malkovich” (piração nonsense crítica total)? Não, não são os títulos ruins.

A semelhança é o estrago que ambos os filmes fizeram a mulheres maravilhosas. A Julia Roberts, em America’s Sweethearts, aparece em algumas cenas do filme horrorosamente feia. Sério mesmo. O impensável na tela. E, em “Malkovich”, a “felizarda” é a Cameron Diaz. Peraí. A Cameron Diaz, aquela, horrorosa? Yep, você acertou. Totalmente estragada, com os cabelos esbruguelhados (seja lá o que for isso, é bem ruim), nojenta. Impossível acreditar.

Mas filmes assim são legais, pra gente ver que essas mulheres também são de carne e osso. E saber que, dentro de cada mulher, a gente pode encontrar (ou fazer!) uma Catherine Zeta-Jones. Basta querer.

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Gosto dos Outros

Written by Volponi on 19/2/2002 – 14:49 -

Este fim de semana foi assistir a este filme. Francês. Não, não é daqueles franceses conceituais. Muito bom, muito divertido. E o melhor: sem ser um pingo hollywoodiano. Um filme engraçado, pesado, diversão + reflexão. A história? Banal. Um empresário grosseiro não aguenta mais as frescurites da mulher e acaba se enternecendo por uma atriz de teatro, que por acaso se tornou sua professora de inglês. Ele se apaixona por ela, e de maneira bem sensível, tenta entrar no mundo culturete da atriz. Além disso, os personagens secundários (o segurança, o motorista e a barwoman) dão o contraponto nas questões de relacionamento e vida. Numa das melhores partes do filme, este diálogo impagável, durante uma vernissage:

— Meu amigo está triste porque não vieram os jornalistas que ele convidou para a estréia.
— Ah, deixe pra lá. Esses jornalistas são todos uns bichas.
— Bichas?
— É, esses caras que dão a bunda.
— Ah, você quer dizer bichas assim como eu e meu amigo?

Saia justa total. Quase pulei da cadeira de tanto rir. Assista, vale a pena.

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Por falar em inocênci

Written by Volponi on 4/2/2002 – 9:52 -

Por falar em inocência, um filme a que assisti neste final de semana chamava-se “O Fio da Inocência”. Muito interessante. Uma menina irlandesa que, inocentemente, vai até a Inglaterra tentar achar o seu namorado, que fugiu para servir o exército britânico. No meio, ela cruza com um psicopata muito simpático, que tem o maior complexo de Édipo possível. No fundo, os dois são inocentes. Mas é muito forte, apesar de não ter nenhuma gota de sangue.

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A.I. - Artificial Intelligence - Ai ai ai…

Written by Volponi on 20/9/2001 – 19:23 -

No último domingo, fui assistir ao tão esperado novo filme de Spierberg/Kubrick. Pra quê. Sinceramente, esperava mais.

Estava preparado para duas coisas, nenhuma aconteceu:
1) Uma enxurrada de cenas sentimentalóides e fortes, que mexessem com o brio das pessoas. Ou seja, bastante Spielberg. Não houve. Ninguém que eu vi saiu chorando. O filme seria uma bosta, mas seria aquilo que melhor esse diretor sabe fazer.

2) Ou um filme mais cabeça-conceitual, que deixasse os espectadores impressionados e instigados. Ou seja, bastante Kubrick. Não houve tampouco. Só há ameaças de um bom roteiro, o diretor inglês morreu realmente. Não sobrou muita coisa na produção do americano.

A cena inicial é patética. Nem vou comentar.
A primeira metade do filme é muito mais interessante que a segunda. Ou seja: ele sugere mais do que é. David chegando em casa, a reação de sua “mãe”, o “ativamento”, o aprendizado, a chegada do filho verdadeiro, o trabalho do canastrão orga. A segunda parte, a partir da fuga dos robôs, é uma piada (no mau sentido).

O roteiro nem segue a verossimilhança proposta, falta coerência: um robô não tem capacidade de discernir a hora de tirar a roupa (cena inicial), mas é capaz de arrancar voluntariamente seu identificador para fugir da polícia (o gigolô). Não consegue distinguir uma lua falsa (do balão do mercado de peles) da lua real, mas consegue discursar sobre a natureza do ser humano (cena após do dr. Know). Aposto que se fosse uma produção kubrickeana isso não aconteceria, mas é só suposição. Kubrick talvez não conseguisse produzir o filme nunca.

E tem dois finais. O primeiro, muito mais HAL, anti-hollywoodeano, daria algum sentido à história: até onde um robô é um robô, até onde o desejo (essa coisa tão humana) pode ir. O segundo, futurista e piega demais, me deixou entediado.

Alguns amigos meus adoraram. Jóia, não é um filme ruim. Tem uma senhora produção e visual futurista sem cair no óbvio. Mas talvez eu estivesse esperando demais. Ou talvez eu só esteja um chato de galochas para assistir filmes.

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