Archive for the ‘Direto do forno’ Category
No dia em que…
Written by Volponi on 30/3/2004 – 19:30 -No dia em que ganhei o oboé,
ouvi a serenidade perfeita.
Uma nota sozinha,
límpida,
firme,
doce.
Um único sopro,
que nunca mais voltará.
No dia em que perdi a vida,
tinha dezessete anos
e a chave de um carro.
Saí do veículo capotado,
mas não consegui sentir nada.
Tinha perdido também a chance da morte.
No dia em que pousei na Lua,
encontrei uma metáfora.
Um chão desértico e claro,
um céu invisível, escuridão.
Caverna ao contrário,
aberta para o infinito
e impenetravelmente branca.
Rápida, oblíqua e clara
Written by Volponi on 15/12/2003 – 18:56 -A chuva.
Posted in Direto do forno, Experimentos | 2 Comments »Canção publicitária-infantil
Written by Volponi on 9/12/2003 – 19:09 -Vamos passear na internet,
enquanto o logo não vem…
Tá pronto, seu logo?
- Nãaao, tou aplicando uma máscara.
Vamos passear na internet,
enquanto o logo não vem…
Tá pronto, seu logo?
- Nãaao, a fonte não tem acento.
Vamos passear na internet,
enquanto o logo não vem…
Tá pronto, seu logo?
- Nãaao, o cliente ainda não viu.
Vamos passear na internet,
enquanto o logo não vem…
Tá pronto, seu logo?
- Nãaao, o cliente mandou refazer.
Vamos passear na internet,
enquanto o logo não vem…
Tá pronto, seu logo?
- Tá, tá pronto. E a campanha tem que estar na minha mesa, hoje, de qualquer jeito. Corre!
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaagh!
Posted in Direto do forno, Experimentos, Mini-textos, Webslave chronicle | 3 Comments »De fininho
Written by Volponi on 28/11/2003 – 12:39 -Olhei para o espelho e encontrei um estranho. Os cabelos um pouco mais compridos, o rosto parecendo mais delgado por causa dos óculos pretos, a camisa aberta somente até a casa certa. Mas eram os olhos que denunciavam o semblante: o outro me via, e também não me reconhecia. Disfacei e saí, de fininho.
Posted in Experimentos, Mini-textos | No Comments »Enquanto você dormia
Written by Volponi on 27/11/2003 – 20:41 -Enquanto eu dormia, minha alma apequenada viajou longe, procurando te encontrar novamente, sob o eco dos nossos nãos. Viajei no tempo, viajei no espaço, em vão: você não estava em nenhum dos “lá”. Te encontrei dormindo do meu lado, a quilômetros de distância. Uma certeza quente, ao mesmo tempo tranquila e angustiante.
Veio o dia. E, felizmente, nos encontramos mais uma vez.
Posted in Comédias privadas, Direto do forno, Experimentos, Mini-textos, Vida ao vivo | 4 Comments »A/C Carta Comercial
Written by Volponi on 11/8/2003 – 11:43 -Aos cuidados de
vossa senhoria
de acordo com a solicitação
segue em anexo
para sua apreciação
aguardo retorno
elevando os mais altos protestos
de estima e consideração
sem mais para o momento,
atenciosamente.
O maracujá, as paixões e um besouro
Written by Volponi on 1/8/2003 – 14:41 -Maracujá, em várias línguas (como o inglês e o italiano) é a “fruta da paixão”. Estranho, para uma fruta que tem a fama, no Brasil, de ser considerada calmante. Paixão é fogo, e não calma. Uma explicação débil apareceu na mesa do almoço: talvez tenha esse nome por causa da planta, que enrola suas extremidades no que aparecer por perto, até outras plantas. Foi a única metáfora encontrável: o maracujá, assim como os apaixonados, se entrelaçam de tal forma ao ser desejado que fica quase impossível distinguir onde começa um e onde termina o outro. Constatação interessante: o maracujá não é daninho, isto é, ele não suga a seiva da outra planta, apenas a usa como apoio, para ter segurança de si. Ou seja: a fruta da paixão embute, nessa metáfora, uma das vertentes do amor.
O amor, que pouco se parece com aquele bezourão helicóptero, assim chamado por causa do tamanho e do barulho que provoca. O besouro nada tem a ver com a história, a não ser o fato de ser assíduo habitante dos pés de maracujá. Mas que está sempre lá, está.
Posted in Filosofadas, Mini-textos, Vida ao vivo | No Comments »Solene
Written by Volponi on 30/7/2003 – 10:32 -Pega. Quatro para cada lado. Passa, passa. A bola surrada viajava por todos os lados da rua. Aqui, vem! O jogo era o mundo deles. Agora. Com afinco lutavam pela partida, como se num estádio fosse, como se grandes jogadores fossem. Xi… perdeu. Mas eram apenas meninos. Agora, vai. E ficaram consternados quando viram aquele carro preto. Olha lá. Seguido num cortejo numa fila a baixa velocidade. Vixe… Silenciaram o jogo, a bola segurada firme contra um peito.
Solenes, prestaram seus 8 minutos de silêncio, como se uma grande partida fosse.
Posted in Direto do forno, Mini-textos | No Comments »Mil palavras
Written by Volponi on 24/7/2003 – 10:50 -Uma viagem esperada, conversas. Um despertar apressado, animado, divertido. Sol aberto, dia temperadamente agradável. Preparação, alongamento: subida. Seis quilômetros morro adentro, árvores, cheiro de mato, água de encosta. Braços abertos querendo voar no topo do mundo. Sua música descendo pelas ladeiras, em harmonia com a melodia do silêncio. Noite de balanço, mais música, debates acaloradamente inteligentes. Um prato exótico nos esperando no dia seguinte. Mais frio, conversas, agasalhos. No fundo, um pôr-do-sol avermelhado por entre o coqueiral. Moldura para nossos sorrisos. Os olhos naturalmente focados num ponto finito, o olhar para dentro do mundo. Lado a lado, você apoiada em mim, proximidade e confiança, dizendo o indizível num toque de ombros. Poesia.
Posted in Direto do forno, Experimentos, Mini-textos | No Comments »Politicamente correto
Written by Volponi on 16/7/2003 – 14:46 -- Não, eu não sou feio! Minha mãe me disse que eu sou esteticamente desinteressante, só isso!
Posted in Mini-textos, Ô luta | 3 Comments »