Archive for the ‘Experimentos’ Category
Popestórias
Written by Volponi on 8/12/2005 – 10:41 -Foxy lady,
i wanna hold your hand
come together, right now
in a castle made of sand
Sabe,
estou a dois passos do paraíso
geme geme:
tchurururu…
Eu quis dizer
Já tive mulheres de todas as cores
de várias idades, muitos amores
você não quis escutar.
Protocolo
Written by Volponi on 9/2/2005 – 16:57 -— Tá bom, eu aceito.
— Mesmo?
— Sim, eu sigo o protocolo romântico.
— Aaaai…. que lindo!
— Só…. só tem uma coisa. Você segue o protocolo Amélia?
Rua Coriolano, Lapa, SP
Written by Volponi on 27/4/2004 – 15:15 -1 Manufatura de capas para automóveis
1 Bar / Restaurante da modinha
2 Padarias
1 Loja de Uniformes profissionais
1 Loja de motopeças
2 Butecos
1 Prédio para escritórios / comercial com entrega para agosto de 2004
1 Loja de cortinas
2 Lojas de azulejos fora de linha e material para mosaico
1 Loja de enfeites de mosaico de azulejo
2 Distribuidoras de água mineral
1 Relojoeiro
1 Revendedor e afinador de piano
2 Lojas de acessórios para carro
1 Loja de instrumentos de sopro
1 Chaveiro, que demorou
25 minutos para não consertar
1 chave, o suficiente para circundar
3 quadras da rua Coriolano.
No dia em que…
Written by Volponi on 30/3/2004 – 19:30 -No dia em que ganhei o oboé,
ouvi a serenidade perfeita.
Uma nota sozinha,
límpida,
firme,
doce.
Um único sopro,
que nunca mais voltará.
No dia em que perdi a vida,
tinha dezessete anos
e a chave de um carro.
Saí do veículo capotado,
mas não consegui sentir nada.
Tinha perdido também a chance da morte.
No dia em que pousei na Lua,
encontrei uma metáfora.
Um chão desértico e claro,
um céu invisível, escuridão.
Caverna ao contrário,
aberta para o infinito
e impenetravelmente branca.
Rápida, oblíqua e clara
Written by Volponi on 15/12/2003 – 18:56 -A chuva.
Posted in Direto do forno, Experimentos | 2 Comments »Canção publicitária-infantil
Written by Volponi on 9/12/2003 – 19:09 -Vamos passear na internet,
enquanto o logo não vem…
Tá pronto, seu logo?
- Nãaao, tou aplicando uma máscara.
Vamos passear na internet,
enquanto o logo não vem…
Tá pronto, seu logo?
- Nãaao, a fonte não tem acento.
Vamos passear na internet,
enquanto o logo não vem…
Tá pronto, seu logo?
- Nãaao, o cliente ainda não viu.
Vamos passear na internet,
enquanto o logo não vem…
Tá pronto, seu logo?
- Nãaao, o cliente mandou refazer.
Vamos passear na internet,
enquanto o logo não vem…
Tá pronto, seu logo?
- Tá, tá pronto. E a campanha tem que estar na minha mesa, hoje, de qualquer jeito. Corre!
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaagh!
Posted in Direto do forno, Experimentos, Mini-textos, Webslave chronicle | 3 Comments »De fininho
Written by Volponi on 28/11/2003 – 12:39 -Olhei para o espelho e encontrei um estranho. Os cabelos um pouco mais compridos, o rosto parecendo mais delgado por causa dos óculos pretos, a camisa aberta somente até a casa certa. Mas eram os olhos que denunciavam o semblante: o outro me via, e também não me reconhecia. Disfacei e saí, de fininho.
Posted in Experimentos, Mini-textos | No Comments »Enquanto você dormia
Written by Volponi on 27/11/2003 – 20:41 -Enquanto eu dormia, minha alma apequenada viajou longe, procurando te encontrar novamente, sob o eco dos nossos nãos. Viajei no tempo, viajei no espaço, em vão: você não estava em nenhum dos “lá”. Te encontrei dormindo do meu lado, a quilômetros de distância. Uma certeza quente, ao mesmo tempo tranquila e angustiante.
Veio o dia. E, felizmente, nos encontramos mais uma vez.
Posted in Comédias privadas, Direto do forno, Experimentos, Mini-textos, Vida ao vivo | 4 Comments »A/C Carta Comercial
Written by Volponi on 11/8/2003 – 11:43 -Aos cuidados de
vossa senhoria
de acordo com a solicitação
segue em anexo
para sua apreciação
aguardo retorno
elevando os mais altos protestos
de estima e consideração
sem mais para o momento,
atenciosamente.
Mil palavras
Written by Volponi on 24/7/2003 – 10:50 -Uma viagem esperada, conversas. Um despertar apressado, animado, divertido. Sol aberto, dia temperadamente agradável. Preparação, alongamento: subida. Seis quilômetros morro adentro, árvores, cheiro de mato, água de encosta. Braços abertos querendo voar no topo do mundo. Sua música descendo pelas ladeiras, em harmonia com a melodia do silêncio. Noite de balanço, mais música, debates acaloradamente inteligentes. Um prato exótico nos esperando no dia seguinte. Mais frio, conversas, agasalhos. No fundo, um pôr-do-sol avermelhado por entre o coqueiral. Moldura para nossos sorrisos. Os olhos naturalmente focados num ponto finito, o olhar para dentro do mundo. Lado a lado, você apoiada em mim, proximidade e confiança, dizendo o indizível num toque de ombros. Poesia.
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