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	<title>Caderno de Anotações &#187; Crônicas</title>
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	<description>Um blog sobre tecnologia, literatura e bizarrices por Rodrigo Volponi</description>
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		<title>Crônica nova no forno&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Oct 2007 18:27:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Volponi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lá nos Cronistas Reunidos. É o Dilema da Completude.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lá nos Cronistas Reunidos. É o <a href="http://www.cronistasreunidos.com.br/volponi/2007/10/o-dilema-da-completude/">Dilema da Completude</a>.</p>
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		<title>Luta por atenção ou adeus, violão</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Oct 2006 21:56:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Volponi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se aprende desde pequeno. Ou você é olhado, observado, admirado ou é mais ou menos como eu. Tem gente que tem o dom, a genética, o estilo ou qualquer combinação dessas coisas naturalmente, sem esforço. A grande graça está naquelas pessoas que, sem graça natural, tentam subverter o sistema e arrebanhar uma colher-de-chá de admiração. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se aprende desde pequeno. Ou você é olhado, observado, admirado ou é mais ou menos como eu. Tem gente que tem o dom, a genética, o estilo ou qualquer combinação dessas coisas naturalmente, sem esforço.</p>
<p>A grande graça está naquelas pessoas que, sem graça natural, tentam subverter o sistema e arrebanhar uma colher-de-chá de admiração. Capricham nas roupas, na pose, na simpatia, nas idéias extravagantes, no olhar 43 (se não souber o que é isso, pergunte pro Paulo Ricardo; se não souber quem é o Paulo Ricardo, parabéns). Nunca fui bom na maioria dessas coisas. Felizmente eu tive um trunfo durante a adolescência: o violão.</p>
<p>Ah, o violão. Nada como um pseudo-músico cantando com a galera o hit pop do momento, todos com um poder de abstração musical muito sofisticado, para não levar em conta os desafinos, as disritmias e as pausas nos momentos errados. Música é uma coisa agradável, as músicas conhecidas mais ainda. Mas o melhor é que são as meninas que gostam de cantar.</p>
<p>Só que um dia você faz 20 anos. E todo mundo é mais sério, você tem mais o que fazer do que ficar só tocando violão. Além disso, você passa a curtir menos as músicas das bandas pop do momento. As músicas mais interessantes começam a ter guitarras em velocidades alarmantes, loops sintéticos esquizofrênicos ou trompetes, quem diria, trompetes. Ou tudo isso junto. Adeus, violão.</p>
<p><em>(versão pessoal e alterada da crônica &#8220;Como Conquistar Mulheres&#8221;, publicada nos <a target="_blank" href="http://www.cronistasreunidos.com.br">Cronistas Reunidos</a> em out/2006)<br />
</em></p>
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		<title>Mais um peso que se vai&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Nov 2004 15:27:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Volponi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mais um peso que está indo. Publiquei novo texto nos Cronistas Reunidos. Veja lá e diga o que acha. O tema? &#8220;A Maior Mentira do Mundo&#8221;. Uma surpresa, claro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um peso que está indo. Publiquei novo texto nos <a href="http://www.cronistasreunidos.com.br">Cronistas Reunidos</a>. Veja lá e diga o que acha. O tema? &#8220;A Maior Mentira do Mundo&#8221;. Uma surpresa, claro.</p>
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		<title>Sonhei que voava</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2003 22:07:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Volponi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sonhei que voava. Um sonho repetido, um desejo recorrente, algo que nunca tinha percebido. Eu sei voar. Não como um pássaro, não como um super-homem. Apenas e tão-somente voava. Um sonho inteiro vendo coisas por cima. A rua da casa de meus avós, fios (cuidado!), árvores no quintal. E, claro, pessoas me olhando, espantadas. Mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sonhei que voava. Um sonho repetido, um desejo recorrente, algo que nunca tinha percebido. Eu sei voar. Não como um pássaro, não como um super-homem. Apenas e tão-somente voava. Um sonho inteiro vendo coisas por cima. A rua da casa de meus avós, fios (cuidado!), árvores no quintal. E, claro, pessoas me olhando, espantadas.</p>
<p>Mas mais espantado estava eu: era muito fácil voar. Simples. Como nunca ninguém tinha voado sozinho antes? Basta esticar as palmas das mãos como se se quisesse aparar o vento, jogando-o para baixo delicadamente. Nada de bater os braços, dar impulso com os joelhos, não não. Palmas em diagonal ao chão, e pronto. A mão esquerda um pouco mais pra lá e a curva se faz. E com as mãos mais juntas ao corpo a descida é confortável.</p>
<p>No começo, voar dá medo. É estranho ver que é suficiente o desejo de voar. Meu pesado corpo mais-leve-que-o-ar? Como se sustenta? E na hora de descer? E se eu me machucar? E a dor? Percebi que essas inseguranças são incompatíveis com o vôo. Não se pode voar pensando nisso. Não pense. Voe.</p>
<p>Voar serenamente, silenciosamente. Ver de longe as pessoas indo pra lá e para cá, observar o fluxo dos carros, conhecer os tetos das casas. Brinquedos esquecidos no fundo de uma piscina. Lá na frente, um parque de diversões com uma roda-gigante. Será possível ir tão alto? Sim, é possível, mas não é necessário. Não é necessário quebrar nenhum recorde de velocidade, altura, tempo. Só voar.</p>
<p>Acordei. Mas a sensação veio comigo: era preciso voar. Era preciso ser livre. E, com a consciência de um ser flutuante, serenar a liberdade. Continuar voando, mesmo de olhos abertos.</p>
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		<title>Uvas salgadas</title>
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		<pubDate>Sun, 25 May 2003 15:57:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Volponi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nunca tinha visto aquilo. Pegou seu prato de sopa e jogou uma colher de uva-passa por cima. Quando voltou para a mesa, ele olhava fixamente uma mulher no balcão. &#8220;Canalha&#8221;, pensou, enquanto tomava a sopa. Silenciosamente, degustou cada porção daquela visão amarga. Lembrou-se das brigas, do jeito bruto, do diálogo parco e entrecortado. Queimou a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nunca tinha visto aquilo. Pegou seu prato de sopa e jogou uma colher de uva-passa por cima. Quando voltou para a mesa, ele olhava fixamente uma mulher no balcão. &#8220;Canalha&#8221;, pensou, enquanto tomava a sopa. Silenciosamente, degustou cada porção daquela visão amarga. Lembrou-se das brigas, do jeito bruto, do diálogo parco e entrecortado. Queimou a língua, balbuciou uma maledicência. Foi quando ele se virou novamente. &#8220;O casaco da moça me lembrou aquele seu, esquecido no meu carro. Nosso primeiro encontro, lembra?&#8221;. Sim, sim. Ela se lembrava de cada detalhe. Nunca haveria de esquecer.</p>
<p>Na última colherada, afinal, o dulçor das uvas surpreendeu-a com um sorriso.</p>
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		<title>Dissídio coletivo</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Apr 2003 13:06:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Volponi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Queremos melhores salários! - Desculpe, senhor, qual o nome? - Sindicato dos Operadores de Telemarketing. - Não consta do nosso cadastro. - Como não? Eu sou do Sindicato! - Sindicado&#8230; sindico&#8230; não, não temos nenhum nome cadastrado com &#8220;sindicaco&#8221;. - Não é sindicaco, é &#8220;Sindicato&#8221;. - Quer efetuar um cadastro? - Não! Quero melhores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Queremos melhores salários!<br />
- Desculpe, senhor, qual o nome?<br />
- Sindicato dos Operadores de Telemarketing.<br />
- Não consta do nosso cadastro.<br />
- Como não? Eu sou do Sindicato!<br />
- Sindicado&#8230; sindico&#8230; não, não temos nenhum nome cadastrado com &#8220;sindicaco&#8221;.<br />
- Não é sindicaco, é &#8220;Sindicato&#8221;.<br />
- Quer efetuar um cadastro?<br />
- Não! Quero melhores salários! Redução de jornada! Reposição integral da inflação!<br />
- Reclamação anotada, sr. Por favor, anote o número do processo: 68413571. Bom dia.</p>
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		<title>No chão</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Apr 2003 13:24:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Volponi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A malabarista dominava as bolas e a vida. Três, quatro, seis. Não importava quantas, ela sempre com o controle. Jogando para cima e para baixo, com movimentos rápidos. Impressionava quem olhava pela precisão. Nunca deixava a bola cair. Mas, para ela, as mãos eram mecânicas, automáticas. Nem olhava para as cores. Um dia, ouviu um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A malabarista dominava as bolas e a vida. Três, quatro, seis. Não importava quantas, ela sempre com o controle. Jogando para cima e para baixo, com movimentos rápidos. Impressionava quem olhava pela precisão. Nunca deixava a bola cair. Mas, para ela, as mãos eram mecânicas, automáticas. Nem olhava para as cores. Um dia, ouviu um &#8220;te adoro&#8221; inesperadamente sincero. E deixou a bola azul ir pra debaixo do sofá.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>The piano has been drinking</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Apr 2003 17:15:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Volponi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Direto do forno]]></category>

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		<description><![CDATA[- Acho que o piano está bêbado. - Do que você está falando? Olha, acho que a gente deve vender. - Eu não sei. A carteira não me deixou pensar direito. - A carteira? - É, ela ficou me encarando o tempo todo. - Paulo, a empresa tá falindo. Os caras vão pedir nossa falência. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Acho que o piano está bêbado.<br />
- Do que você está falando? Olha, acho que a gente deve vender.<br />
- Eu não sei. A carteira não me deixou pensar direito.<br />
- A carteira?<br />
- É, ela ficou me encarando o tempo todo.<br />
- Paulo, a empresa tá falindo. Os caras vão pedir nossa falência.<br />
- Te sufoca?<br />
- O quê, a situação?<br />
- Não, a gravata. A minha tem crises de auto-estima. Me aperta de um jeito&#8230;<br />
- Acho melhor a gente sair deste bar. Você está muito melancólico para discutirmos isso.<br />
- Eu até gosto daqui. Me traz boas recordações. Só que a garçonete nunca tem um sismógrafo. Nunca! E aí ela te xinga, sabe?<br />
- Paulo, você está bem?<br />
- Eu estou. Mas acho que o piano tem bebido muito.<br />
- Não presta atenção na música. Escuta. A gente tem que pensar no que fazer. Esse lance de off-shore não ajuda.<br />
- É verdade&#8230; e o que a gente faz com o nosso balcão?<br />
- Sei lá o balcão! Não tem a menor importância o balcão.<br />
- Já pensou se ele ficar que nem este aqui? Está cheio de manchas de pele. Coitado.<br />
- Paulo, você está brincando comigo? Tá usando drogas?<br />
- Eu não. Mas o telefone tá sem cigarros, olha lá.<br />
- Já sei, a Marisa saiu de casa de novo, é? Não vai me dizer, que justo nessa hora em que a empresa&#8230;<br />
- Shhhh!<br />
- ?<br />
- Os cinzeiros estão lá, reclamando da aposentadoria.<br />
- Ah, eu desisto. Você está bêbado! Uma coisa séria dessas, e você bêbado. Bêbado, ouviu?<br />
- Nãaao! É o piano que está bêbado. É o piano. Não eu. Eu não. Aliás, olha o resfriado dos menus&#8230;</p>
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