Crônica nova no forno…

Written by Volponi on 27/10/2007 – 15:27 -

Lá nos Cronistas Reunidos. É o Dilema da Completude.

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Luta por atenção ou adeus, violão

Written by Volponi on 19/10/2006 – 18:56 -

Se aprende desde pequeno. Ou você é olhado, observado, admirado ou é mais ou menos como eu. Tem gente que tem o dom, a genética, o estilo ou qualquer combinação dessas coisas naturalmente, sem esforço.

A grande graça está naquelas pessoas que, sem graça natural, tentam subverter o sistema e arrebanhar uma colher-de-chá de admiração. Capricham nas roupas, na pose, na simpatia, nas idéias extravagantes, no olhar 43 (se não souber o que é isso, pergunte pro Paulo Ricardo; se não souber quem é o Paulo Ricardo, parabéns). Nunca fui bom na maioria dessas coisas. Felizmente eu tive um trunfo durante a adolescência: o violão.

Ah, o violão. Nada como um pseudo-músico cantando com a galera o hit pop do momento, todos com um poder de abstração musical muito sofisticado, para não levar em conta os desafinos, as disritmias e as pausas nos momentos errados. Música é uma coisa agradável, as músicas conhecidas mais ainda. Mas o melhor é que são as meninas que gostam de cantar.

Só que um dia você faz 20 anos. E todo mundo é mais sério, você tem mais o que fazer do que ficar só tocando violão. Além disso, você passa a curtir menos as músicas das bandas pop do momento. As músicas mais interessantes começam a ter guitarras em velocidades alarmantes, loops sintéticos esquizofrênicos ou trompetes, quem diria, trompetes. Ou tudo isso junto. Adeus, violão.

(versão pessoal e alterada da crônica “Como Conquistar Mulheres”, publicada nos Cronistas Reunidos em out/2006)

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Mais um peso que se vai…

Written by Volponi on 11/11/2004 – 12:27 -

Mais um peso que está indo. Publiquei novo texto nos Cronistas Reunidos. Veja lá e diga o que acha. O tema? “A Maior Mentira do Mundo”. Uma surpresa, claro.

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Sonhei que voava

Written by Volponi on 1/7/2003 – 19:07 -

Sonhei que voava. Um sonho repetido, um desejo recorrente, algo que nunca tinha percebido. Eu sei voar. Não como um pássaro, não como um super-homem. Apenas e tão-somente voava. Um sonho inteiro vendo coisas por cima. A rua da casa de meus avós, fios (cuidado!), árvores no quintal. E, claro, pessoas me olhando, espantadas.

Mas mais espantado estava eu: era muito fácil voar. Simples. Como nunca ninguém tinha voado sozinho antes? Basta esticar as palmas das mãos como se se quisesse aparar o vento, jogando-o para baixo delicadamente. Nada de bater os braços, dar impulso com os joelhos, não não. Palmas em diagonal ao chão, e pronto. A mão esquerda um pouco mais pra lá e a curva se faz. E com as mãos mais juntas ao corpo a descida é confortável.

No começo, voar dá medo. É estranho ver que é suficiente o desejo de voar. Meu pesado corpo mais-leve-que-o-ar? Como se sustenta? E na hora de descer? E se eu me machucar? E a dor? Percebi que essas inseguranças são incompatíveis com o vôo. Não se pode voar pensando nisso. Não pense. Voe.

Voar serenamente, silenciosamente. Ver de longe as pessoas indo pra lá e para cá, observar o fluxo dos carros, conhecer os tetos das casas. Brinquedos esquecidos no fundo de uma piscina. Lá na frente, um parque de diversões com uma roda-gigante. Será possível ir tão alto? Sim, é possível, mas não é necessário. Não é necessário quebrar nenhum recorde de velocidade, altura, tempo. Só voar.

Acordei. Mas a sensação veio comigo: era preciso voar. Era preciso ser livre. E, com a consciência de um ser flutuante, serenar a liberdade. Continuar voando, mesmo de olhos abertos.

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Uvas salgadas

Written by Volponi on 25/5/2003 – 12:57 -

Nunca tinha visto aquilo. Pegou seu prato de sopa e jogou uma colher de uva-passa por cima. Quando voltou para a mesa, ele olhava fixamente uma mulher no balcão. “Canalha”, pensou, enquanto tomava a sopa. Silenciosamente, degustou cada porção daquela visão amarga. Lembrou-se das brigas, do jeito bruto, do diálogo parco e entrecortado. Queimou a língua, balbuciou uma maledicência. Foi quando ele se virou novamente. “O casaco da moça me lembrou aquele seu, esquecido no meu carro. Nosso primeiro encontro, lembra?”. Sim, sim. Ela se lembrava de cada detalhe. Nunca haveria de esquecer.

Na última colherada, afinal, o dulçor das uvas surpreendeu-a com um sorriso.

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Dissídio coletivo

Written by Volponi on 24/4/2003 – 10:06 -

- Queremos melhores salários!
- Desculpe, senhor, qual o nome?
- Sindicato dos Operadores de Telemarketing.
- Não consta do nosso cadastro.
- Como não? Eu sou do Sindicato!
- Sindicado… sindico… não, não temos nenhum nome cadastrado com “sindicaco”.
- Não é sindicaco, é “Sindicato”.
- Quer efetuar um cadastro?
- Não! Quero melhores salários! Redução de jornada! Reposição integral da inflação!
- Reclamação anotada, sr. Por favor, anote o número do processo: 68413571. Bom dia.

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No chão

Written by Volponi on 17/4/2003 – 10:24 -

A malabarista dominava as bolas e a vida. Três, quatro, seis. Não importava quantas, ela sempre com o controle. Jogando para cima e para baixo, com movimentos rápidos. Impressionava quem olhava pela precisão. Nunca deixava a bola cair. Mas, para ela, as mãos eram mecânicas, automáticas. Nem olhava para as cores. Um dia, ouviu um “te adoro” inesperadamente sincero. E deixou a bola azul ir pra debaixo do sofá.

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The piano has been drinking

Written by Volponi on 1/4/2003 – 14:15 -

- Acho que o piano está bêbado.
- Do que você está falando? Olha, acho que a gente deve vender.
- Eu não sei. A carteira não me deixou pensar direito.
- A carteira?
- É, ela ficou me encarando o tempo todo.
- Paulo, a empresa tá falindo. Os caras vão pedir nossa falência.
- Te sufoca?
- O quê, a situação?
- Não, a gravata. A minha tem crises de auto-estima. Me aperta de um jeito…
- Acho melhor a gente sair deste bar. Você está muito melancólico para discutirmos isso.
- Eu até gosto daqui. Me traz boas recordações. Só que a garçonete nunca tem um sismógrafo. Nunca! E aí ela te xinga, sabe?
- Paulo, você está bem?
- Eu estou. Mas acho que o piano tem bebido muito.
- Não presta atenção na música. Escuta. A gente tem que pensar no que fazer. Esse lance de off-shore não ajuda.
- É verdade… e o que a gente faz com o nosso balcão?
- Sei lá o balcão! Não tem a menor importância o balcão.
- Já pensou se ele ficar que nem este aqui? Está cheio de manchas de pele. Coitado.
- Paulo, você está brincando comigo? Tá usando drogas?
- Eu não. Mas o telefone tá sem cigarros, olha lá.
- Já sei, a Marisa saiu de casa de novo, é? Não vai me dizer, que justo nessa hora em que a empresa…
- Shhhh!
- ?
- Os cinzeiros estão lá, reclamando da aposentadoria.
- Ah, eu desisto. Você está bêbado! Uma coisa séria dessas, e você bêbado. Bêbado, ouviu?
- Nãaao! É o piano que está bêbado. É o piano. Não eu. Eu não. Aliás, olha o resfriado dos menus…

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