Luta por atenção ou adeus, violão

Written by Volponi on 19/10/2006 – 18:56 -

Se aprende desde pequeno. Ou você é olhado, observado, admirado ou é mais ou menos como eu. Tem gente que tem o dom, a genética, o estilo ou qualquer combinação dessas coisas naturalmente, sem esforço.

A grande graça está naquelas pessoas que, sem graça natural, tentam subverter o sistema e arrebanhar uma colher-de-chá de admiração. Capricham nas roupas, na pose, na simpatia, nas idéias extravagantes, no olhar 43 (se não souber o que é isso, pergunte pro Paulo Ricardo; se não souber quem é o Paulo Ricardo, parabéns). Nunca fui bom na maioria dessas coisas. Felizmente eu tive um trunfo durante a adolescência: o violão.

Ah, o violão. Nada como um pseudo-músico cantando com a galera o hit pop do momento, todos com um poder de abstração musical muito sofisticado, para não levar em conta os desafinos, as disritmias e as pausas nos momentos errados. Música é uma coisa agradável, as músicas conhecidas mais ainda. Mas o melhor é que são as meninas que gostam de cantar.

Só que um dia você faz 20 anos. E todo mundo é mais sério, você tem mais o que fazer do que ficar só tocando violão. Além disso, você passa a curtir menos as músicas das bandas pop do momento. As músicas mais interessantes começam a ter guitarras em velocidades alarmantes, loops sintéticos esquizofrênicos ou trompetes, quem diria, trompetes. Ou tudo isso junto. Adeus, violão.

(versão pessoal e alterada da crônica “Como Conquistar Mulheres”, publicada nos Cronistas Reunidos em out/2006)

Posted in Crônicas, Direto do forno | 4 Comments »

4 Comments to “Luta por atenção ou adeus, violão”

  1. Lilian Says:

    Estou em dúvida. Você se desfez do seu violão? As vizinhas estão todas dando em cima do Nicolau? Ou eu é que levo tudo muito ao pé da letra?

  2. pirata Says:

    toca rauulll!!!!!!!!!!

  3. Says:

    E quando chega o dia em que você começa a achar música instrumental o maior barato? E ouve um cara chamado Egberto Gismonti que toca violão um pouco melhor do que você fazia na rodinha com as meninas?

  4. bera Says:

    Addio Viola! Dizia a minha nonna. No século dela (o XIX) já queria dizer o adeus às ilusões, aos sonhos, aos bons tempos. Tem que ser assim? E aos 30, 40, 50, vamos largar o quê? Resista Volponi. Pega o violão e resiste, meu, como quem pega em armas.
    Agora, com uma coisa eu concordo, quem não sabe o que (ou quem) é o Paulo Ricardo, parabéns.

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