Os manos e a irmandade

Written by Volponi on 29/9/2004 – 17:05 -

Acabo de ler um paper interessante de Maria Rita Kehl, chamado As Fratias Órfãs. O tema é a cultura do Rap em São Paulo, mais especificamente sobre os Racionais MC’s. Ela tece uma análise (pessoal, mas muito abalizada) a respeito da influência, dos porquês e dos significados desse movimento na periferia. Sem mitificação da pobreza, sem posturas eu/eles, sem meias-palavras.

É um trabalho longo, para ser impresso e lido com calma. Mas que joga algumas luzes na postura (e na “atitude”) dessas pessoas, que lutam para afirmar seu valor coletivamente em uma sociedade individualista e geradora de exclusão, da qual são vítimas diretas.

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Escolar

Written by Volponi on 27/9/2004 – 17:34 -

Do lado de fora, mãos espalmadas ao vento saúdam a todos, indistintamente. Sorrisos e caretas disputam o mesmo espaço com a mesma graça. Do lado de dentro, borboletas minúsculas, dragões amigáveis, lutas floreadas, discursos de alto nível. Uma van é muito pouco para conter as aspirações e os desejos de uma dúzia de crianças.

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E outro filhote no ar…

Written by Volponi on 22/9/2004 – 17:43 -

Hoje saiu mais um filhote do forno. É o site de publicidade da TV Cultura. Foi um dos projetos mais bacanas e desafiantes de fazer dos últimos tempos. Felizmente, não tem nada, nada a ver com sacos de papel.

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Escondendo a cara num saco de papel

Written by Volponi on 22/9/2004 – 17:39 -

Cresci assistindo à TV Cultura. Não é hipocrisia não, meu pai sempre forçou a barra pra eu desistir do Chaves e ver mais Cultura. Ele tava certo, e eu assistia aos dois. Cresci junto com a programação: Catavento, Bambalalão, Enigma, Revistinha, Os Bichos, Planeta Terra, Matéria Prima, Fanzine, e até o Metrópolis.

Me senti orgulhoso ao ir trabalhar na Fundação Padre Anchieta. As pessoas tinham, realmente, o interesse de fazer uma emissora de qualidade, discutindo a toda hora conceitos pedagógicos, educativos, culturais. Na minha área, acompanhei o desenvolvimento do Alô Escola, trabalhei na produção de vários sites interessantes, como o Ilha Rá-Tim-Bum.

Hoje, tenho uma vergonha profunda. Vergonha da situação da emissora, vergonha do que está no ar, vergonha das poucas possibilidades de futuro. Ao sair daqui, todos os dias, sinto que deveria enfiar a cara num saco de papel. Triste.

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Dois detetives

Written by Volponi on 20/9/2004 – 17:31 -

Influencie os jogos políticos. Estabeleça pactos para se proteger. Só declare suas intenções em último caso. Elimine a inteligência.

Não acredite em certezas presumidas. Cheque cada detalhe. Procure quebrar paradigmas. Faça as perguntas certas.

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O ataque do menino malufinho

Written by Volponi on 20/9/2004 – 17:26 -

“Pense em você. Vote no menino malufinho”. Impressionante. O slogan político do cara é, justamente, apolítico. Para mim, política não é pensar em si, mas pensar em si e na sociedade (seja lá o que essa “sociedade” signifique).

O pior de tudo é que essa mensagem egoística, de “resolva-seu-problema-dane-se-o-resto” cola perfeitamente com o sr. Salim. É, acima de tudo, coerente. E triste.

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Cinta

Written by Volponi on 16/9/2004 – 11:43 -

Ontem vi um cara aqui da empresa usando uma cinta ortopédica, creio eu. O cara é bem obeso, e deve ter seus 40 anos. Fiquei pensando em dores nas costas, falta de mobilidade, entre outros problemas.

Não posso me enganar: se não tomar atitudes AGORA, meu futuro poderá ser esse. Cinta desse naipe? Tou fora!

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Eu não consigo…

Written by Volponi on 11/9/2004 – 17:26 -

Imagine a cena: um homem, dentro de seu carro, displicentemente joga uma bituca de cigarro, aceso, para fora. O que dizer para ele?

E se a cena acontecer dentro de um posto de gasolina, quando o carro está sendo abastecido? Existe alguma forma educada (sutil, sensata, cordial) de dizer alguma coisa?

Já percebi que eu não consigo conter certas indignações. E que, óbvio, a autocrítica é item escasso…

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