Através de 6 graus de miopia
Written by Volponi on 15/4/2004 – 14:29 -Observo tudo através de um quadro translúcido: dentro dele, tudo é nítido. Fora, borrões e manchas se alternam. Preciso de um instrumento para “corrigir” o que meus olhos vêem.
Fico em dúvida. O que vejo é o “real”? Ou o verdadeiro é o borrado?
Hoje, uma lente de 6 graus me separa do mundo. Quais serão os óculos cujas armações, invisíveis, “corrigem” meu olhar sem que eu perceba? E os óculos que bloqueiam a vista, só permitindo passar o que está fora do quadro?
Posted in Filosofadas | 11 Comments »
abril 15th, 2004 at 16:48
O que você disse me lembrou Wim Wenders, em “janela do olhar”. A diferença é que ele tinha uma visão mais otimista desse quadro translúcido. Dizia que no dia que tentou usar lentes, ficou tonto, estava vendo demais. E voltou pros antigos óculos, que o ajudava a selecionar o que via…
abril 16th, 2004 at 1:42
vc usa óculos???? jura??? faz tempo?? ai minha nossa! agora tudo se esclarece na minha mente…
abril 16th, 2004 at 10:17
Quem aguenta tanta verdade sem uns melitas pra filtrar? E ainda por cima a gente tem a cara de pau de interpretar aquilo que vê mal…
Eu, por exemplo, sem óculos pra mim toda mulher fica bonita, não sei porque.
Nós não nascemos de óculos, nós não éramos assim.
abril 16th, 2004 at 11:46
“… posto que não são os olhos
mas o cérebro que em verdade vê
míope deve ser o cérebro
de toda gente…”
“… portanto, míopes são os outros:
os que vêem nítidos
seus contornos foscos
porém como tais crentes
são sempre a maioria
crêem ver a miopia
nos poucos que enxergam bem…”
Luís Dolhnikoff, poeta
Saiu na BBC-Brasil, em 02 de maio, 2003
Algumas das mais importantes obras impressionistas podem ter sido resultado de uma simples miopia.
O neurocirurgião australiano Noel Dan publicou um artigo no Journal of Clinical Neuroscience em que afirma que a miopia de artistas como Monet, Renoir e Degas pode ter afetado seu estilo de pintar.
“Eles enxergavam as coisas ligeiramente borradas e o impressionismo, de certa maneira, decorre disso”, disse o médico ao jornal britânico Daily Mail.
Cézanne, Pissarro, Matisse e Rodin também são outros artistas que sofreriam de miopia ou de vista cansada.
Segundo Dan, os problemas de visão desses pintores também explicam suas preferências por cores fortes, em especial o vermelho.
“Todos nós temos um espectro visual com a cor azul em uma ponta e o vermelho na outra. Nos míopes, a parte azul é mais curta que a vermelha, portanto eles enxergam o vermelho com mais nitidez”, explicou o médico.
Dan afirmou ainda que a miopia justifica outras características das obras impressionistas, como os traços suaves e a falta de detalhes.
abril 17th, 2004 at 18:27
querido grande amigo Volps… eu estava passeando por uns blogs por aí, quando me deparo com um post chamado “odeio pessoas pseudo-cult-pretensiosas – A arte de usar pseudo-metáforas e palavras bonitas que escondem idéias simplórias”
e a pessoa diz que encontrou o significado para as tais idéias. ela não revela o autor por questão de “ética”, mas lá no meio vem assim:
“Observo tudo através de um quadro translúcido: dentro dele, tudo é nítido. Fora, borrões e manchas se alternam. Preciso de um instrumento para “corrigir” o que meus olhos vêem.
Fico em dúvida. O que vejo é o “real”? Ou o verdadeiro é o borrado?”
Tradução: “Dá pra passar esse baseado mais rápido, por favor??!!”
ai amigo, que feia!!! fiquei tão indignada… lembrei daquelas cartinhas que a gente escrevia na vida passada com palavras cuidadosamente escolhidas no dicionário só pra dar graça…
bom, é isso. queria contar que vi seu blog citado aí pelos guetos. quer ver pessoalmente?
http://www.odeiomuito.blogspot.com/
beijo pra vc
abril 18th, 2004 at 15:14
as vezes prefiro ver o opaco para não sofrer com a realidade …
abril 19th, 2004 at 13:40
aaaahhhhh, então essa linguagem é pra “dar graça”?! hahaha, agora entendi…
enfim, gostei muito do seu comentário no odeiomuito e pretendo fazer um post muito em breve colocando os links dos blogs…
na verdade, coloquei texto seu pq eu tive resistir à tentação de tirar tudo da Caixa de Pandora (pretensiosíssimo)
seus textos são bons, acho que vou voltar aqui
não que isso seja importante
abril 19th, 2004 at 15:05
Certas coisas são pretenciosas. Para tanto, precisam ter o objetivo de parecer o que não se é.
No caso da Caixa de Pandora, discordo de você. Ali, as discussões são abertas, e tudo baseado em impressões. O objetivo não é PARECER: é transparecer uma idéia. Abrir a caixa e ver o que tem. Pode ser sutil, pode ser pesado, pode ser triste.
Sabe do que eu gosto lá? É de como a dona do blog consegue observar e analisar as coisas que estão à volta dela. E sem se expor. Já reparou nisso?
Mas essa é só a minha opinião. Não que seja importante, Pri.
abril 21st, 2004 at 20:35
mudando de assunto, amigo Volps: o Moacyr me convidou pro Orkut (êêêê) e adicionei vc… faça o favor de me aceitar
)
maio 5th, 2004 at 19:09
Eu pensava assim, também, quando uma lente de 7 graus me separava do mundo. Resolvi operar minha miopia e hoje, 7 anos depois, ainda tenho dúvidas se o que enxergo é real – apesar da nitidez ser mais óbvia
junho 1st, 2004 at 12:46
Cara, ser usuário de óculos nos proporciona essas viagens… Quando comecei a usar estranhei tudo, foi uma descoberta saber que enxergava a realidade toda fora de foco. Claro que ainda a vejo fora de foco – e ela é fora de foco, quem não sabe… Hoje, usando lentes fica tudo limpo, lavado, mas às vezes me pego vendo demais e aí deixo as lentes em casa e saio enxergando mal e melhor. Quando quero ver algo com detalhes tiro o óculos da bolsa… Variar é importante…