The thrill is NOT gone

Written by Volponi on 26/3/2004 – 10:52 -

Esperava há 7 anos por isso. O show do B.B. King foi o máximo. Ele não é um tiozinho bacana. É um vovô figuraça. Ele teve que tocar sentado, pousando a Lucille no colo. Pra reverter o espanto, um papo simpático com a platéia. Algo como “You know, I’m an oooold man, not as young as those behind me. Knees? No good. Back? No good. Head? Noooo gooood too.” Detalhe: atrás dele, havia uns 10 músicos com cara de vovô.

O cara dominou o público, que aplaudia comovida. Algumas vezes, no meio da música, ele apontava uma “beautiful young lady” na segunda fila, e fazia umas gracinhas com o pessoal da banda. Todo mundo na gargalhada. Só que certas coisas ninguém entendia direito. B.B. “descobriu” o porquê. “Maybe they didn’t get my Mississipi accent”. Comédia.

A coisa triste é que, vendo o B.B. King se chacoalhando numa cadeira, apesar de toda a simpatia, deu pra notar que esta deve ter sido a última oportunidade de vê-lo em SP. Um vovô, não se esqueçam.

When you leave me
I try not to worry
Come back in a hurry
‘Cause I need you so

No começo, fiquei com medo. Ele só ponteava a guitarra no começo das músicas, e depois soltava seu vozerrão. Solos de piano vintage? Nãaaao! Eu queria era o rei do blues tocando. Mas esse medo durou pouco: quando o cara resolveu tocar (e não foi pouco!), quase caí da cadeira. Eu não sabia se fechava os olhos pra curtir melhor o blues ou se arregalava os olhos pra descobrir o que ele estava fazendo. Uma dúvida maravilhosa.

Ainda bem que a emoção não se foi.

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6 Comments to “The thrill is NOT gone”

  1. Camila Says:

    Mesmo quem não foi fica emocionado de ouvir você falar…

  2. Camafunga Says:

    Tive também esta oportunidade há alguns anos em Porto Alegre, e estava próximo, muito próximo do meu ídolo. Como a sua , uma noite inesquecível.
    Abraços

  3. vanessa Says:

    concordo com a Camila. Do jeito que vc descreveu, me pareceu super ultra ótimo…
    Queria ter visto.

  4. bera Says:

    A tua descrição tem a mesma beleza e simplicidade de um solo do BB.
    Poucas e boas notas.
    A emoção ficou e foi pra todos.
    Thanks

  5. Murilo Boudakian Moyses Says:

    Volps,

    Não há mais o que dizer.

  6. suzete Says:

    Duas filas para comprar ingresso: uma para “Uma noite em Buenos Aires”, outra para o show do B.B.King.
    Encontramos um cara eufórico porque estava comprando ingresso para toda a família para ver o B.B.King. Queria dar às filhas um presente que já havia se dado 5 ou 6 vezes na vida. Sua euforia era tanta que fiquei em dúvida: pulava para a outra fila, ficava onde estava ou entrava nas duas?
    Soma daqui, soma dali, últimos ingressos caríssimos, decidimos ficar onde estávamos. Mas restou um certo quê de frustração (revivida, agora, com seu comentário).
    Hoje, digo que gostaria de ter podido assistir ao dois shows.
    Por quê? Entrar em contato com a história do tango, com ênfase nas obras de Piazzola, é também um privilégio. Ganhar, de quebra, um presente inesperado é duplo privilégio. Qual presente? Ela. Amelita Baltar, intérprete e musa de Piazzola, que conseguiu fazer com que lágrimas descessem, sem que sentíssemos e controlássemos, numa magistral interpretação de “Balada de un loco”.
    Tem gente boa demais nesse mundo, produtora de emoção pura. Se B.B.King vier de novo eu vou.

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