No dia em que…

Written by Volponi on 30/3/2004 – 19:30 -

No dia em que ganhei o oboé,
ouvi a serenidade perfeita.
Uma nota sozinha,
límpida,
firme,
doce.
Um único sopro,
que nunca mais voltará.

No dia em que perdi a vida,
tinha dezessete anos
e a chave de um carro.
Saí do veículo capotado,
mas não consegui sentir nada.
Tinha perdido também a chance da morte.

No dia em que pousei na Lua,
encontrei uma metáfora.
Um chão desértico e claro,
um céu invisível, escuridão.
Caverna ao contrário,
aberta para o infinito
e impenetravelmente branca.

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