Os meninos, as meninas e as brigas

Written by Volponi on 13/1/2004 – 10:50 -

Numa dessas conversas de botequim, surgiu uma tese interessante: por brigarem muito pouco durante a infância, as mulheres são muito mais maléficas nas suas disputas com outras mulheres, quando mais velhas. E não estamos aqui falando de brigas conceituais. O tópico é agressão física mesmo.

Não é uma tese nem um pouco científica, mas partiu de algumas constatações genéricas:

1) Quase todo menino tem histórias pra contar de brigas na escola, pegas, provocações, socos, pontapés e desafios agressivos.

2) Já as meninas, não.

3) Na fase mais adulta, os homens levam muito mais na esportiva qualquer provocação de outro homens, principalmente se for do círculo de amigos. Xingamentos, socos, disputas são resolvidos de forma amigável, fazendo parte daquelas bobeiras infantis que irritam tanto as companheiras (e com razão).

4) As mulheres tendem a serem muito aguerridas com outras mulheres, na fase adulta, principalmente com relação a homens, comentários, opiniões das outras. E isto leva a rixas bobas entre amigas a virar coisa séria. Falta um pouco do famoso tô nem aí.

E então, as coisas estão ligadas? Isto é uma simplificação grosseira? Existem, sim, muitas meninas briguentas? Existem caras que não sabem levar na esportiva? Ou faz algum sentido?

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4 Comments to “Os meninos, as meninas e as brigas”

  1. Camila Says:

    Eu estava pensando esses dias em algo desse tipo, não lembro exatamente em relação a quê. Sobre ser mal acostumada com o excesso de tratamento de primeira e, portanto, vulnerável a qualquer respostinha atravessada.

    Acho que tem a ver, sim. Mas eu não faria uma apologia da “casca grossa” por causa disso. A “casca fina”, sensível, é capaz de perceber nuances de que a “casca grossa” nem se dá conta.

    Será que a “intuição feminina” pode ter algo a ver com isso?

  2. Camila Says:

    Afinal, é preciso desenvolver outros tipos de defesa…

  3. Suzete Says:

    Sei não. Não me lembro de ter tido tratamento de primeira. Mas me lembro muito bem de ter dado tratamento de 2ª tanto a meninos quanto a meninas. Chute e rolar no chão, em brigas, era comum. Uma certa atitude de sadismo também. Com irmãos, parentes, estranhos. Com os adultos (como não era tonta nem nada) abusava das palavras (meu bem, meu mal).

    Continuo não sendo um primor de delicadeza. Mas ja não entro mais em disputas corporais com mais ninguém. Transferi o ímpeto para o pensamento, para a crítica e para a fala. Quanto mais envelheço, menos pudor/ medo sinto de dizer o que penso, por mais desagradável que seja. Sem distinção de gênero (masculino/ feminino). Mas também tenho desenvolvido uma certa capacidade para ouvir e dar a mão à palmatória, quando é preciso. Sou pouco ligada a passado (extraio dele a seiva de que necessito para continuar vivendo e batalhando). Desenvolvi um olhar para o futuro e para causas. Estou tentando aprender a me fixar no presente, no aqui e agora (está sendo meio difícil conseguir isso: pessoas com quem mantenho relações profissionais de longa data têm dificultado esse meu processo). Mas pretendo insistir. Considero-me, apesar de tudo, detentora de uma lealdade canina, além de ser altamente generosa. Orna? Não. Não orna.

    Sou quase sempre divertida (mais pelo uso da ironia e pelo blague que faço de mim mesma). Não dispenso ANTIDEPRESSIVOS e nem ANSIOLÍTICOS. Ando não dispensando também exercícios pesados nas academias da vida. Preciso destilar. O corpo é pouco para tanto. Por isso tudo, POSSO AFIRMAR COM TODA ÊNFASE/ CONVICÇÃO, que, mesmo assim e com tudo isso, É DIFICÍLIMO driblar melancolias, banzos, crises de tristeza, de depressão e outros quetais.

    Já deu para perceber que estou aproveitando esse espaço para me contrapor a uma resposta dada por você a um post anterior. Quem sabe você possa entender do que estava falando quando escrevi o que escrevi.

    Abração

  4. volponi Says:

    Aposto então, Suzete, que você sabe lidar de forma “esportiva” com aquelas coisas menos importantes e que causam tanta irritação em muitas pessoas… Esse ímpeto da assertividade, da clareza, da inteligência não combina mesmo com perder tempo com bobeiras. Que bom!

    Quando aos tópicos do outro post, confesso que sofro de um problema: não consegui até hoje, de coração, “entrar” nessa necessidade de destilar as crises de tristeza tão freqüentes. Por isso me é tão caro dar mão à palmatória para essas coisas. Talvez eu leve a vida de forma leviana. Talvez eu não dê o devido valor para meus vales, e só olhe para os poucos picos. Talvez a coisa ainda não tenha “batido” em mim. Talvez eu tenha tido sorte. Não sei precisar, mas é fato. No dia que compreender melhor isso (se conseguir compreender de coração) aposto que a relação com minha mãe vai ser mais fácil.

    Agora, sobre ornar, não vale, hein… Quem é que ORNA, Suzete? Uma das coisas mais terríveis que se pode fazer com alguém é cobrar-lhe coerência… heeheh… É ou não é?

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