O japonês e o japonês

Written by Volponi on 29/1/2004 – 11:09 -

Engraçado ver dois filmes sobre o Japão na seqüência. Um, Encontros e Desencontros, da Sofia Coppola. Outro, o Último Samurai, de Edward Zwick. Muito diferentes entre si, lógico.

O primeiro mostra dois americanos que, no fundo, nunca entram no Japão. Por ter língua, costumes e rituais completamente distantes do que eles conhecem, optam por se fechar, se esconder. O hotel é um oásis de segurança com alguns intrusos nativos. Mas, nesse caso, o Japão é irrelevante: o país é só um pretexto para mostrar como a vida deles era sem sentido e tediosa. Podia ser a Índia, o Madagascar, a Islândia.

No segundo, que se passa no século XIX, um capitão do exército americano entra no Japão no período de transição feudal-moderna. E entra mesmo, de corpo e alma, quando vive numa vila de samurais. Vem todo o blablablá romântico da vida rupestre, disciplinada, cheia de honra, em contraste com os interesses financeiros e capitalistas da modernização de Tokyo, a nova capital.

Esse “entrar” ou “não entrar” numa sociedade me fez lembrar de um livro que li (depois acho o nome e coloco aqui), em que o autor, um executivo brasileiro, conta qual é a “mágica” para não cometer gafes em contatos internacionais. Simples: manter proximidade emocional. Quem procura o distanciamento, achando que o outro é “outro”, que os costumes são “estranhos”, que aquilo não é “correto”, fatalmente não vai se relacionar bem com as pessoas daquela sociedade. Se, ao contrário, tiver proximidade ativa (”entrar”), qualquer gafe, se existir, será facilmente contornada, compreendida, relevada.

Tá bom, concordo. Mas que isso deve ser difícil de se conseguir no Japão, ah, isso sim.

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