A tecnologia e o japonês
Written by Volponi on 29/1/2004 – 11:31 -Nesse filme Último Samurai, me ficou na cabeça outra coisa: a relação entre tradição x tecnologia. Há, obviamente, uma clara defesa da tradição japonesa (honra, costumes, disciplica) contra a avassaladora tecnologia embarcada pelo capitalismo americano (na forma de estradas de ferro, eletricidade e, principalmente, armas automáticas).
Os samurais conseguem resistir, de forma corajosa, ao primeiro avanço da tecnologia: as armas de fogo. Mas não conseguem fazer o mesmo quando vem o segundo avanço, as armas automáticas, na forma de metralhadoras antigas.
A visão de preservar a tradição é comovente, no filme. E me faz ficar com uma certa repulsa à tecnologia. Mas percebo a ironia: trabalho com internet e sempre trabalhei com computadores. Adoro as maravilhas eletrônicas quando evitam a burrocracia e, apesar das críticas, sou alopata convicto e fico espantado quando uma simples pílula pode acabar (mesmo!) com fungos no seu pé, sem contar as endoscopias.
O interessante é perceber como, no filme, o imperador amarra a contradição de ser um país feudal, com tradições milenares, na transição e na ânsia pela modernidade. É, sim, modernizar-se, não esquecer suas origens. E é justamente essa a imagem que tenho do Japão, hoje. Ambíguo, porque tradicional e high-tech.
Talvez esse tipo de filme seja necessário para mostrar um contraponto. Afinal, não é preciso que ninguém defenda a técnica: ela já é hegemônica. No passado, era Deus (ou a religião) quem dizia o certo e o errado. Depois, veio o humanismo, que agora dá espaço ao discurso tecnológico. E isso não é bom nem ruim: é o contexto contemporâneo. Trabalhemos com isso, com alguns olhos no passado, e muitos no futuro. Aonde chegaremos?
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Janeiro 29th, 2004 at 17:40
Onde chegaremos dependerá de quais serão os problemas que encontraremos pela frente. Quando a técnica e a ciência não forem mais capazes de responder a contento, outros deuses serão criados.
Acho que já temos alguns problemas na nossa sociedade relacionados a valores morais / sociedade de que a ciência não está dando conta.
Eu me sinto numa civilização bárbara, muitas vezes. E muitas vezes penso em me recolher para dentro de algum feudo e buscar a salvação em alguma religião.
Acho que a história é cíclica por isso: por que a memória é curta, porque os tratamentos para os males são pontuais (o que significa que consertam um lado estragam o outro), e assim vamos tentando resolver as ânsias com as armas que já temos.
Andando em círculos, chegaremos onde sempre estivemos. Por isso é necessário conhecer a história, por isso é bom “trabalhemos com isso, com alguns olhos no passado, e muitos no futuro”
Por que é preciso encontrar saídas novas. Tradição é apenas tradição, não é solução. Tradição é permanecer sempre com os mesmos problemas.
Janeiro 30th, 2004 at 13:32
esse imperador o Meiji foi quem iniciou a transformação do japão no que é hoje, ele fez em 30 anos o que nações demoraram séculos, e morreu pouco antes da 1ª guerra mundial.
Fevereiro 3rd, 2004 at 23:29
Bom, falando em tradição x modernidade, veja o filme Himalaia…nele o contraste fica maior…