Archive for Julho, 2003
Voy para Macarné
Written by Volponi on 15/7/2003 – 12:26 -Compay Segundo morreu ontem. E eu morri de vontade de fazer um “Adeus, Segundo” aqui no Caderno de Anotações. Desisti. Achei pedante demais, achei que não tinha o direito. O que conheço eu da vida, das músicas do cubano? Quase nada, somente algumas músicas do Buena Vista Social Club e “ouvir falar” que ele era o maior representante. Isso não é suficiente, portanto, não tenho o direito de fazer uma “homenagem”. Mas, do pouco que eu conheci, eu gostei. Então, tenho o direito, sim, de dizer “que pena” e ir para Macarné, sonhando conhecer mais músicas como “Chan Chan”.
Posted in No ouvido, Vida ao vivo | 2 Comments »Declaração
Written by Volponi on 11/7/2003 – 11:55 -- Me dá Amor?
Era a última coisa que esperaria ouvir daquela mocinha. O caixa tentou disfarçar, mas enrubesceu. Pensou que poderia amá-la, sim. Agora e para sempre. Ela desviou o olhar. Imaginou que o amor merecesse uma entrada mais pomposa, com trombetas e guirlandas. Mesmo assim, ela percebeu que não era mais uma menininha. E que suas atitudes tinham um novo poder.
- Trin… Trinta centavos, disse o caixa.
Ela pegou a paçoca e se foi, mais mulher do que nunca.
Posted in Direto do forno, Mini-textos | 2 Comments »O nascimento (de uma corrente)
Written by Volponi on 11/7/2003 – 11:25 -Começa assim: alguém lembra de uma história, copia de um livro piegas ou psicografado uma “mensagem de acalentar o coração”. Aí, põe num email e manda para todos os seus amigos.
Um dos 592 destinatários gosta da mensagem. E resolve usar o seu encéfalo altamente desenvolvido para fazer essas frases aparecerem uma a uma, no Power Point. E manda para todos os seus amigos.
Um dos 348 destinatários gosta da mensagem. E pensa: ei, eu conheço efeitos no Power Point mais bonitinhos que esses aí. E usa seu tempo de profissional e o computador da sua empresa para fazer com que letras surjam, palavras pisquem e sons pululem. E manda para todos os seus amigos.
Um dos 659 destinatários gosta da mensagem. E, maliciosamente, percebe que essa mensagem “tão importante” não vai ser mandada para todos os amigos dos seus amigos dos seus amigos, a não ser que alguma coisa mais contundente os obrigue a isso. E inclui no anexo: “Esta é uma mensagem de amor. John Phillipe, Utah, enviou 237 cópias desta mensagem, e uma semana depois conseguiu uma ereção inesperada. Maria Carmón, Espanha, esqueceu-se de enviar e seu poodle morreu, entrando em depressão. Envie para todos os amigos da sua lista, e peça para que eles te mandem a mensagem de volta. Assim, você saberá quem é seu verdadeiro amigo. Envie agora mesmo!”.
E todos viveram felizes para sempre.
Posted in Cri-crítica, Vida ao vivo, Ô luta | 2 Comments »O que vem antes do que vem depois
Written by Volponi on 8/7/2003 – 12:17 -“Agora só tem dois. O branco e o verdinho. Qual você quer primeiro?” Escolher primeiro o verde significava deixar o melhor dulçor para depois. Decidir pelo branco era gozar logo os prazeres do agora, sem se preocupar com o amanhã. Era uma armadilha. E ele não sabia o que escolher, morrendo de inveja de quem tem certezas inabaláveis sobre a ditadura do prazer.
Posted in Direto do forno, Mini-textos | 2 Comments »Estrada errada do feminismo
Written by Volponi on 8/7/2003 – 10:42 -Na Carta Capital desta semana, uma entrevista interessante com a filósofa e feminista Elisabeth Badinter. Em pauta, os caminhos errados do feminismo francês. Por extensão, do feminismo mundial.
Primeiro, ela critica a vitimização da mulher, feita pelas feministas a partir de 80. Em vez de lutar de igual para igual com o machismo, foi acentuada a imagem de um homem predador e estuprador, como se as mulheres não tivessem competência de se defenderem. Assim, aproximam a imagem da mulher ao de uma criança, tal como no começo do século passado. Assédio sexual? Mesma coisa.
Outra bola dentro: prostituição. As feministas francesas vociferam contra, indiscriminadamente. Badinter coloca em relevo: há diferenças entre a prostituição independente e a escravidão de garotas do Leste Europeu (e da Am. Latina também, porque não?) feita por proxenetas. Esta última é deplorável, mas e a primeira? Qual a diferença entre prostituição independente e a postura pragmática de certas mulheres na escolha de seu(s) parceiro(s)?
Discordo, como a entrevistada, da postura do feminismo hoje. As conquistas da década de 60/70 já estão consolidadas, ainda bem. Não há chance de a mulher voltar à posição submissa de sempre. Mas, agora, outras questões surgem. E acho que alguns discursos estão errados. As mulheres queriam independência, respeito, poder? É ridículo que tenham ficado tanto tempo sem. Mas, agora, dependem apenas de si para tomar a responsabilidade com as duas mãos, e não deixar que o sexismo se torne algo relevante. Ou não é esse o objetivo final do feminismo?
No final, uma constatação tardia (de minha parte): o poder absoluto das mulheres na reprodução através da futura clonagem reprodutiva. Pra quê homens?
Posted in (un)realpolitik, Filosofadas, Vida ao vivo | No Comments »Email urgente da Nigéria?
Written by Volponi on 8/7/2003 – 9:46 -É daqui que nigerianos aprendem técnicas de spam.
Posted in Geek news, Vida ao vivo | 4 Comments »Testando o trackback
Written by Volponi on 7/7/2003 – 11:28 -O Danilo do Let’s Blogar postou uma forma de fazer funcionar o Trackback aqui no MovableType (o sistema de publicação deste Caderno de Anotações). Se der certo, e se bastante gente usar, vai ser possível concatenar comentários inter-blogs, referências das referências, e coisas assim. Depois eu explico direito. Primeiro vejamos funcionando.
Posted in Tecnicismos | 1 Comment »Paredes invisíveis?
Written by Volponi on 3/7/2003 – 14:57 -New Scientist
Surrounding city centres and likely terrorist targets with “soft walls” will make it impossible for hijacked planes to get anywhere near them. So say the inventors of an avionics system that creates no-fly zones that pilots cannot breach.
Acho que pode funcionar para o caso específico de seqüestradores de avião. Mas o terrorismo não vai acabar aí. Os caras fecham a porta, mas esquecem que não existem paredes na casa.
Posted in Vida ao vivo | 3 Comments »Sonhei que voava
Written by Volponi on 1/7/2003 – 19:07 -Sonhei que voava. Um sonho repetido, um desejo recorrente, algo que nunca tinha percebido. Eu sei voar. Não como um pássaro, não como um super-homem. Apenas e tão-somente voava. Um sonho inteiro vendo coisas por cima. A rua da casa de meus avós, fios (cuidado!), árvores no quintal. E, claro, pessoas me olhando, espantadas.
Mas mais espantado estava eu: era muito fácil voar. Simples. Como nunca ninguém tinha voado sozinho antes? Basta esticar as palmas das mãos como se se quisesse aparar o vento, jogando-o para baixo delicadamente. Nada de bater os braços, dar impulso com os joelhos, não não. Palmas em diagonal ao chão, e pronto. A mão esquerda um pouco mais pra lá e a curva se faz. E com as mãos mais juntas ao corpo a descida é confortável.
No começo, voar dá medo. É estranho ver que é suficiente o desejo de voar. Meu pesado corpo mais-leve-que-o-ar? Como se sustenta? E na hora de descer? E se eu me machucar? E a dor? Percebi que essas inseguranças são incompatíveis com o vôo. Não se pode voar pensando nisso. Não pense. Voe.
Voar serenamente, silenciosamente. Ver de longe as pessoas indo pra lá e para cá, observar o fluxo dos carros, conhecer os tetos das casas. Brinquedos esquecidos no fundo de uma piscina. Lá na frente, um parque de diversões com uma roda-gigante. Será possível ir tão alto? Sim, é possível, mas não é necessário. Não é necessário quebrar nenhum recorde de velocidade, altura, tempo. Só voar.
Acordei. Mas a sensação veio comigo: era preciso voar. Era preciso ser livre. E, com a consciência de um ser flutuante, serenar a liberdade. Continuar voando, mesmo de olhos abertos.
Posted in Crônicas, Direto do forno | No Comments »Ligação importante
Written by Volponi on 1/7/2003 – 12:18 -A sua ligação é muito importante para nós. Você será atendido em 51 minutos pelas nossas assistentes. Por favor, aguarde. Obrigado por confiar em nossos serviços. Com mais de 43 anos de experiência, a Ortoemergência está de prontidão 24 horas por dia, com os mais modernos sistemas de atendimento. Sua saúde está assegurada com uma rede de profissionais especializados, incluindo ortopedistas, clínicos e fisioterapeutas. A sua ligação é muito importante para nós. Você será atendido em 49 minutos pelas nossas…
Posted in Cri-crítica, Direto do forno, Experimentos, Ô luta | 6 Comments »