Bom, já falei isso, acho
Written by Volponi on 29/5/2001 – 17:33 -Bom, já falei isso acho que duas vezes hoje, e acabei de publicar a poesia do João Cabral.
Tema: dor de cabeça.
Mas agora há um agravante, deixem-me contar a historinha.
Parte 1: segundo os astrônomos, seres chatos e sem nenhuma poesia (ao contrário dos astrólogos, seres abarrotados de poesia e por isso muito chatos), há grandes diferenças na trajetória que a Terra (este projétil chamado lar) leva ao redor do Sol. Há equinócios de outono e de primavera, e solstícios de verão e de inverno. Estes quatro pontos delimitam os auges de diferença entre o tempo do dia e da noite (solstícios) e os momentos em que o dia e a noite duram o mesmo (equinócios). Os equinócios e os solstícios estão aí, para quem quiser estudar, entender, se chatear. Não há como fugir deles, assim como não dá pra revogar a lei da gravidade.
Parte 2: trabalho na Lapa de baixo, na TV Cultura. Minha sala não possui cadeiras, mesas ou piso adequados à plena satisfação no trabalho, o que quer dizer que não fico confortável para tirar um cochilo nestas cadeiras duras. Nem mesmo um sofázinho, vejam vocês. As janelas são a única escapatória lírica para este amontoado de computadores e elementos estéreis, excluindo a Jurema (minha vaquinha de madeira). Vejo as nuvens (quando existem), vejo a poluição (sempre), vejo prédios ao fundo e bem próximos. Um desses prédios, especificamente, sempre chama a atenção: é uma daquelas criações de arquitetos moderninhos, cores vermelhas e volumes irregulares, digamos assim, um prédio cubistas. E com janelas espelhadas, óbvio. Não posso escapar das janelas espelhadas do prédio da frente, porque as próprias janelas da minha sala são assim, abertas, liberadas, sem cortinas.
Pronto, contei duas historiazinhas, ou duas contextualizações. O que elas têm em comum, e mais, o que elas têm a ver com dor de cabeça? Mandem mensagens para volponi@hiperweb.com.br. Conto mais tarde.
Ah, que bobagem! Ninguém vai me escrever mesmo, conto agora.
Todos os anos, entre abril e julho, lá pelas quatro da tarde, sou presenteado com um bônus astronômico, digamos assim. O sol, que está próximo do solstício de inverno, vem por trás da minha sala, bate no prédio cubista e cai direto na minha cara. Assim, sem dó, sem dizer com licença nem nada.
Minha dor de cabeça agradece… aaaai….
Posted in Geral | No Comments »