Um caso de inovação

Mais um filhote entrou no ar: o site de Inovação da 3M.

Mas o mais bacana é o blog desse site: o Blog da Inovação 3M. Os posts, feitos pela equipe da 3M e por convidados especiais, falam desde push-puppets até inovações em churrascaria. É inovação no geral, mesmo. Como bônus, ficou bonito pacas.

Parabéns galera da TV1, que executou o projeto, e pra 3M, por um conteúdo e idéias tão bacanas!

Cultura da Convergência – Henry Jenkins

Cultura da ConvergênciaApesar de estampar um iPhone imenso cercado de mini-telas, não se iluda pela capa. E essa é a primeira surpresa do livro. Ele não fala de convergência tecnológica, digital, ou do “equipamento-tudo-em-um” que dominará a mídia do futuro. O livro fala de mudanças culturais, principalmente na relações de consumo, produção e apropriação de mídia. Henry Jenkins prefere discutir essa mudança a partir de exemplos concretos, mostrando o que já é realidade nessa nova relação cultural: interação, transmídia e reapropriação.

Cultura da Convergência começa falando da interação entre fãs do programa de TV Survivor, que se aglutinaram para descobrir, antes dos episódios irem ao ar, quais seriam os desfechos do reality-show (spoilers). A comunidade de spoilers era um grande gerador de conhecimento sobre o programa, e ameaçou seriamente os segredos de Survivor a cada temporada. É a emergência de um tipo de inteligência coletiva, com objetivos claros e descentralizada.

Quando aborda American Idol, Jenkins mostra que a indústria de mídia hoje não possui mais um público homogêneo (se é que algum dia teve), e que ela deve lidar com diferentes tipos de consumidores: os zappers, os casuais, os leais. E mostra como os consumidores leais estão influenciando a tomada de decisão por parte das emissoras de TV. As “lovemarks” são uma realidade de mudança cultural.

O outro indício dessa mudança cultural são as criações transmidiáticas: um novo modelo de produção de bens culturais que não se limita a um único suporte, uma única história. Na verdade, o desafio é construir um universo ficcional que permita a dispersão dos conteúdos e do consumo, em qualquer ponto de contato disponível. E o melhor exemplo foi Matrix, muito além de uma trilogia cinematográfica. Os websodes ajudaram a criar a mística e dar pistas de como era o universo Matrix; os jogos construíram histórias paralelas que desembocaram nos filmes e explicaram decisões de personagens; as animações “Animatrix” contaram a história da guerra entre humanos e robôs e expandiram criativamente as implicações de um mundo dominado pelas máquinas. Mais do que criar um filme, os irmãos Wachowski criaram um universo em que outros autores (cineastas, animadores, game-makers) puderam contribuir. Só se pode adentrar realmente a Matrix consumindo muito mais que os filmes: é necessário absorver a transmídia.

Esse tipo de universo ficcional tem, nos dias atuais, um valor parecido com o universo mitológico para os antigos: servem de base comum para as pessoas possam se relacionar, se comprender, se questionar perante os demais. Os gregos tinham seus deuses e semi-deuses; nós temos Matrix, Harry Potter, Star Wars. Se essa base comum provinha de tradições orais e religiosas, hoje está nas mãos de criadores e dos grandes produtores de mídia. Será mesmo? Jenkins mostra que, apesar das pessoas não conseguirem prescindir dos universos comuns criados “artificialmente” pela indústria cultural, as empresas não têm controle total sobre eles: a ficção é absorvida e recriada pela sociedade.

Darth Vader

O exemplo, no caso, é do universo Star Wars.  Ao longo da história, a Lucas Films já teve todo tipo de relação com os fãs que usavam seu universo ficcional, indo da restrição total à permissão absoluta. No final, conseguiu perceber que há uma linha fugidia que separa proteção de direitos autorais e o re-uso legítimo do universo para recriação (o que motiva os fãs mais leais). Na prática, este é (mais) um dos desafios dessa nova realidade: encontrar o ponto ótimo onde os interesses de negócio se cruzam com os anseios dos fãs/consumidores. Não é a cultura popular dando espaço para a cultura de massa que dá espaço para cultura de convergência: é justamente a concomitância dessas três realidades que vamos ter que reaprender a lidar nos tempos atuais.

Esses universos ficcionais re-apropriados pela sociedade, e as novas relações de consumo/produção de mídia podem causar alterações também em outros aspectos de nossa cultura: na educação, na religião e na política, por exemplo. Jenkins usa o exemplo dos livros de Harry Potter para mostrar como as crianças estão recriando seus dilemas pessoais usando o universo de Hogwarts e, assim, desenvolvendo seu letramento (literacy), sob críticas positivas e negativas de pais e educadores. E mostra também a reação de comunidades cristãs que crêem que os livros representam a difusão não-desejada de um paganismo pós-moderno.

Já na política, cidadãos inconformados que fazem a alteração/criação de imagens no Photoshop, e outros que disseminam essas imagens em redes de emails é só a ponta do iceberg de um novo tipo de ativismo político. Como a abertura e a disponibilidade de informação oficial/governamental é cada vez maior, também passa a ser valorizado o papel do “cidadão monitor”, já que a imprensa, sozinha, não consegue mais acompanhar todos os aspectos da administração pública e os detalhes do debate político. Jenkins escreveu este livro pouco após as eleições presidenciais americanas de 2004, e os exemplos da campanha de Howard Dean são só uma pálida sombra do que vimos com Obama em 2008. Vimos diante de nossos olhos a maior campanha transmidiática participativa e colaborativa da história. E o papel de cidadão participante, mesmo que a distância e digitalmente, está mais próximo e real. Basta ver as manifestações políticas no YouTube, as recriações hilárias de discursos de campanha, a disseminação de fatos e boatos por email, a utilização de SMS para divulgação de informações em primeira mão e organização de eventos, e o site de transição change.gov do presidente eleito.

Por fim, este livro fornece bons insights e o conceito poderoso de que a cultura está em mudança. Indo do macro para o micro, a indústria de mídia, as empresas e os governos já estão tendo que pensar além dos produtos convencionais, abraçando o transmidiático; e convivendo com um consumidor mais participante, que pode gerar inteligência coletiva, que luta pelas lovemarks, e que quer se reapropriar e recriar o que consome. Do micro para o macro, as ferramentas digitais e o consumo de mídia mais participativo geram mudança nas relações entre as pessoas, na dissolvição da separação entre o privado/comercial e público/amador, e em uma realidade em que fazer mídia é tão natural quanto consumí-la.

E o mais interessante disso tudo é perceber esta transformação por dentro, também produzindo e disseminando a mudança.

Festa do Livro

Como todo ano, lá vou eu me luxuriar na Festa do Livro da USP. Uma orgia em que me dou o direito de comprar livros com uma verba medida em salários-mínimos. Fui mais comedido este ano, mas com boas promessas:

Poesia
Antologia José Paulo Paes – esse eu curto faz tempo, mas nunca peguei um livro. Desta vez, uma antologia.
Antologia Paulo Leminski – pra conhecer. Não faço a menor idéia do que virá.

Pocket books
O que é Jazz – rá!
O que é Xadrez – rá! rá!

HQs (ou “arte seqüencial” como querem os PIMBAs)
Bone, volumes de 9 a 12 – catzo, compro essa série desde a primeira festa do livro que fui. E, até hoje, só lançaram até o volume 12. Será que um dia a Via Lettera vai lançar tudo?
Estória Gerais – quadrinho brasileiro com uma história de cangaço, jagunço e buriti (imagino).
The Originals – Sangue nas Ruas – é do Dave Gibbons (Watchmen), pareceu bacana. Vamos ver.
Isaac o Pirata – traço absurdo de bacana, mas não faço idéia do que tem dentro. Aposta.
Laertevisão – esse eu queria comprar fazia tempos.  

Ah, o digimundo
A Era das Máquinas Espirituais – do maluco do Ray Kurzweil. O livro é de 1999, então é beeeem possível que tenha muita futurologia ultrapassada ali. Mas vamos ver qual é a do cara, já que estou vendo referências esporádicas dele toda hora no digimundo.
Cultura da Convergência – medo. Tem um iphone na capa e um papinho “revolução do conhecimento”. Se for pega-trouxa, eu aviso. Se não for, eu ufano, ok?

Nem consegui chegar perto da editora Martins Fontes, tinha FFLCHelentos demais, cotoveladas demais. Parece que a Festa do Livro está mais cheia de gente, este ano. Vai até 14/nov/08.

Novo projeto: Nokia Store SP

A idéia é a seguinte: a Nokia está abrindo uma loja-conceito em São Paulo, na Oscar Freire, seguindo outras que já foram abertas pelo mundo.

E, junto ao lançamento desta loja, a Nokia vai dar um “presente” pra cidade. Um presente escolhido pelo público: wi-fi na USP, uma mostra de arte digital ou distribuição de audio-books no metrô.

Home do site da Nokia Store SP
Home do site da Nokia Store SP

Participei do projeto do site que serve justamente pra divulgar esses três presentes e permitir a votação pela internet (também vai ser possível votar pelo celular, óbvio). Um projeto que ficou muito bonito. A página inicial, com lugares importantes de São Paulo, ficou linda. E são versões diferentes para manhã, tarde e noite.

Veja só: nokiastoresp.com.br

Mas a coisa que mais curti fazer foram as áreas “internas”, onde cada presente é explicado, e onde há a votação propriamente dita. Tive oportunidade de usar um novo framework php que conheci, o que agilizou e trouxe bastante qualidade ao site final. E os três hotsites (sim, um pra cada presente) saiu muito rápido. 

Agora, é esperar dia 19/10 e votar. :-)

Ficha rápida: site criado pela RMG Connect em parceria com a JWT, atendimento da Adriana Fernandes, Daniel Gomes e Cláudia Cruz. Layouts de Rafael Dante, animação de Maurício Reis e Rafael Dias. Fiz toda a parte de desenvolvimento e programação front e back-end, com a ajuda do Daniel Reigada.

Melhor aviãozinho de papel do mundo

Melhor avião de papel do mundo
Melhor avião de papel do mundo

Então, quando você era criança sempre fazia aviõezinhos de papel completamente desengonçados? Não sabia qual voaria mais, o reto, o com flaps, aquele com rabo anexado?

 

Seus problemas acabaram. O melhor avião de papel é este. E juro que pensei que fosse um avião com dobradura japonesa que eu nunca iria ter visto na vida. Mas já fiz, sim, parecidos.

 

Pra quem não acredita, aqui estão as sugestões de regras para o Guiness. E um videozinho de como fazer, pra quem não sabe.